Os preços de medicamentos dispararam no Irã, e alguns tratamentos ficaram difíceis de encontrar em meio ao bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos e ao endurecimento das sanções contra a indústria farmacêutica do país.
Alguns remédios mais que triplicaram de preço. Em farmácias de Teerã, funcionários relatam que “quase tudo” ficou mais caro, com casos de preços dobrados, quadruplicados ou até seis vezes maiores.
Importações e fábricas afetadas
O Irã produz mais de 80% dos medicamentos consumidos internamente, mas depende de matérias-primas importadas. Antes da guerra, a maior parte desses insumos chegava por via marítima. Com o bloqueio americano aos portos desde junho, importadores passaram a usar rotas aéreas mais caras.
O transporte aéreo também foi afetado por novas sanções contra companhias iranianas, que levaram à suspensão de alguns voos internacionais. Embora os remédios não sejam alvo direto das sanções, restrições financeiras e o temor de bancos e empresas em violar regras dificultam pagamentos e embarques, afirmou Reza Majdzadeh, professor da Universidade de Essex.
Ataques aéreos danificaram mais de 40 fábricas farmacêuticas, incluindo unidades que produzem tratamentos contra câncer. O governo iraniano não informou quanto a produção caiu.
Reajustes e falta de estoque
O órgão público responsável por regular preços informou que os valores de cerca de 2.000 tipos de medicamentos foram reajustados nos últimos seis meses por causa da inflação e do câmbio. Em alguns produtos, como pomadas e comprimidos usados por pacientes em diálise, a alta chegou perto de 350%.
Farmácias também enfrentam dificuldades para manter os estoques. Segundo Mohammad Jamalian, do comitê de saúde do Parlamento iraniano, seguradoras atrasaram em até nove meses os reembolsos de cobertura. A associação de farmácias estima dívidas de cerca de US$ 270 milhões.
O contrabando para Afeganistão, Paquistão e Iraque pressiona ainda mais a oferta, já que os preços são maiores nesses países.
O governo tenta priorizar hospitais, mas uma funcionária de hospital público relatou falta de medicamentos psiquiátricos especializados. Médicos passaram a recorrer com mais frequência à eletroconvulsoterapia.
A associação de farmacêuticos informou que cerca de 700 mil doses foram importadas da China e que outras 500 mil devem chegar. Uma dose estaria sendo vendida por cerca de 22 milhões de riais, quase o dobro do ano passado.








