NOVA YORK — O presidente Lula discursa nesta terça-feira (22) na abertura da 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York. Pela tradição mantida desde 1955, o Brasil será o primeiro país a falar. Na sequência, será a vez dos Estados Unidos, representados pelo presidente Donald Trump.
A fala deve apresentar as prioridades da política externa brasileira em um cenário de guerras e disputas diplomáticas. Entre os temas esperados estão a defesa do multilateralismo, da soberania dos países e da negociação como caminho para resolver conflitos.
Lula também deve abordar a reforma das instituições internacionais, com destaque para o Conselho de Segurança da ONU. O governo brasileiro defende mudanças na composição, nos métodos de trabalho e no sistema de veto do órgão. A avaliação é que a estrutura atual não representa adequadamente a configuração política do mundo e tem dificuldades para responder aos conflitos internacionais.
Outros assuntos previstos são o combate à fome e à pobreza, a desigualdade, a segurança alimentar, as mudanças climáticas e a cooperação internacional contra o crime organizado transnacional.
Lula e Trump
A proximidade entre os discursos de Lula e Trump é um dos pontos de atenção da abertura. Cada Estado-membro tem 15 minutos previstos para falar, embora o limite nem sempre seja seguido à risca.
Até o momento, não há uma reunião bilateral formal confirmada entre os dois presidentes. Eles estarão no mesmo local durante a abertura, o que mantém a possibilidade de um encontro nos bastidores. No ano passado, tiveram um breve contato na ONU, quando Lula deixava o palco e Trump se preparava para discursar.
Antes da Assembleia Geral, Lula se reúne com o secretário-geral da ONU, António Guterres. O presidente também participou de encontros com o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, e com autoridades estrangeiras.
A Assembleia Geral deste ano tem como tema “Restaurar a confiança, gerenciar a transformação: uma Organização das Nações Unidas que atenda a todas as pessoas”. O debate geral reúne chefes de Estado e de governo entre 22 e 28 de setembro, em Nova York.
Agenda brasileira
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, permanece na cidade e participa de reuniões de Brics, G77, G4, IBAS, Celac e Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). Também estão previstas discussões sobre a situação da Palestina, a solução de dois Estados, desigualdade, direito internacional humanitário e a atuação do Conselho de Segurança.
O ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Wellington Dias, participa de atividades sobre segurança alimentar, proteção social e financiamento para o desenvolvimento. Depois do encontro com Guterres e do discurso na ONU, Lula retorna ao Brasil.









