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Imagens de corpos expostos por presidente colombiano geram alerta sobre violência
Foto: Reprodução
Mundo

Imagens de corpos expostos por presidente colombiano geram alerta sobre violência

Abelardo de la Espriella apresentou mortos e presos de uma operação, enquanto especialistas questionam o impacto político das imagens.

Abelardo de la Espriella divulgou um vídeo em que aparece ao lado de sacos mortuários e de autoridades militares e policiais. Nas imagens, publicadas na quarta-feira (2) em sua conta no X, ele apresenta os mortos como resultado de uma operação contra um grupo rebelde dissidente.

O presidente afirmou que 23 pessoas foram mortas e seis capturadas. Entre os detidos está um líder conhecido pelo codinome “Tigre”, apontado por Espriella como o terceiro na hierarquia do grupo. As identidades dos mortos não foram divulgadas.

Operação ainda será investigada

Espriella classificou a ação como um “golpe letal” contra o controle territorial do grupo e disse que foi a operação militar mais bem-sucedida na Colômbia nos últimos 12 anos. Ele também afirmou que os rebeldes recrutaram crianças e atacaram integrantes do Exército e da Marinha durante as eleições presidenciais deste ano.

Uma criança recrutada, segundo o presidente, foi resgatada e encaminhada ao órgão de proteção à infância do país. A operação ainda não passou pelas investigações exigidas depois de uma ação militar com mortes.

Jorge Restrepo, diretor do Centro de Recursos para Análise de Conflitos, afirmou que a exposição dos corpos pelo próprio presidente representa algo diferente no período posterior ao conflito. Para ele, a apresentação dos mortos como terroristas derrotados elimina distinções entre combatentes e civis, adultos e crianças, além de confundir usos legais e ilegais da força.

Memória dos “falsos positivos”

As imagens têm peso especial na Colômbia por causa do histórico de violência do país. Durante décadas de conflito armado, militares mediram o sucesso pelo número de baixas inimigas. No início dos anos 2000, soldados mataram quase 8.000 civis e os apresentaram como guerrilheiros mortos em combate para aumentar a contagem de corpos.

O escândalo ficou conhecido como os “falsos positivos” e continua presente na memória dos colombianos. Para Elizabeth Dickinson, vice-diretora para a América Latina do International Crisis Group, a divulgação das mortes tem um caráter performático e representa um retorno a práticas do passado.

Especialistas em segurança afirmam que as fotografias buscam demonstrar uma política de tolerância zero. Dickinson disse que o caráter celebratório das mortes reforça a ideia de um conflito entre o bem e o mal.

A estratégia também foi associada por especialistas a uma tendência regional de apresentar pessoas classificadas como terroristas como inimigos sem garantias do devido processo legal. Donald Trump divulga vídeos de operações de imigração, enquanto Nayib Bukele tornou públicas imagens de presos como parte de sua estratégia de segurança.

Em 2016, a Colômbia assinou um acordo de paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, encerrando um conflito de 50 anos com a guerrilha marxista. Facções dissidentes e outros grupos continuam atuando em partes do país.

Para comunidades que viveram a violência de grupos armados e do Estado, as imagens podem transmitir a capacidade do governo de derrotar criminosos, mas também o risco de uma nova fase de violência em massa.

Texto produzido pela Redação Olhar Agora com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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