Uma revisão sistemática publicada em 2026 associou o tai chi a melhorias na dor de pessoas com osteoartrite e dor lombar crônica. Para fibromialgia e outros problemas musculoesqueléticos, porém, os resultados não foram suficientes para confirmar um benefício estatisticamente claro.
O estudo saiu em fevereiro na revista Frontiers in Pain Research e reuniu 38 ensaios clínicos randomizados, realizados entre 2000 e 2024. A análise envolveu adultos com dor musculoesquelética persistente por mais de três meses. Foram consideradas condições como osteoartrite, dor lombar, fibromialgia, dor cervical, artrite reumatoide e dor em diferentes regiões do corpo.
Onde os resultados foram melhores
Treze estudos avaliaram participantes com osteoartrite, enquanto outros 13 analisaram pessoas com dor lombar. O tai chi esteve relacionado a uma queda modesta da dor no primeiro grupo e a uma redução maior entre os participantes com dor lombar.
Ainda assim, os pesquisadores identificaram diferenças importantes entre os trabalhos. Os programas tinham variações nos movimentos, na frequência, no tempo das sessões, nos grupos de comparação e no perfil dos participantes. Por isso, não é possível definir com precisão quanto cada pessoa pode melhorar.
Outra meta-análise, publicada em julho de 2026, examinou especificamente a dor lombar crônica inespecífica. O trabalho reuniu oito ensaios clínicos, com 526 participantes, e apontou melhora da dor e de alguns aspectos da incapacidade funcional. Não houve efeito significativo sobre a qualidade do sono.
Na fibromialgia, a revisão encontrou uma possível redução da dor, mas o resultado não atingiu significância estatística. A mesma falta de confirmação apareceu quando outras condições musculoesqueléticas foram analisadas em conjunto. Isso reforça que dor crônica não é uma única doença e pode envolver causas e tratamentos diferentes.
Prática como complemento
O American College of Rheumatology e a Arthritis Foundation recomendam fortemente o tai chi para pessoas com osteoartrite no joelho ou no quadril. As entidades também recomendam a prática de exercícios físicos de forma geral, sem indicar uma modalidade única para todos os pacientes.
O tai chi reúne movimentos controlados, mudança de peso, equilíbrio, respiração, concentração e relaxamento. Esse conjunto pode trabalhar força, mobilidade e controle do corpo com pouca exigência de impacto. O National Center for Complementary and Integrative Health informa que estudos com pessoas com osteoartrite observaram melhora em dor, rigidez, equilíbrio e função física.
A maioria dos programas avaliados na revisão de 2026 durou cerca de 12 semanas. As análises, no entanto, não mostraram uma ligação clara entre praticar por mais tempo e obter uma redução maior da dor. Também não foi demonstrada superioridade de um estilo específico de tai chi.
Segurança
A prática apresentou bom perfil de segurança nos estudos. Não foram registrados eventos adversos graves diretamente relacionados ao tai chi. Alguns participantes relataram desconforto muscular, piora temporária da dor lombar ou no joelho e necessidade de adaptar determinados movimentos.
O NCCIH considera o tai chi geralmente seguro quando executado de maneira adequada, mas recomenda atenção para possíveis adaptações em pessoas com condições médicas. Para quem tem dor persistente, a prática pode ser um exercício complementar, sobretudo em casos de osteoartrite ou dor lombar. Ela não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento profissional.








