Uma revisão sistemática com meta-análise indica que, para adultos com 50 anos ou mais, proteínas vegetais e animais podem ter efeitos semelhantes na preservação da massa muscular e da força. A análise também não encontrou diferenças relevantes na maioria dos indicadores cardiometabólicos avaliados.
Publicado em 19 de agosto de 2026 na revista Clinical Nutrition ESPEN, o estudo reuniu 29 ensaios clínicos randomizados, com 2.363 participantes. Cerca de 61% eram mulheres. As pesquisas acompanharam intervenções com proteínas vegetais ou animais por mais de um mês.
O que os estudos encontraram
Na comparação geral, os grupos tiveram resultados parecidos para massa magra e força de preensão das mãos. A maior parte dos exames de sangue também não apresentou diferença significativa.
As proteínas vegetais tiveram uma pequena vantagem estatística no colesterol total. Os resultados, porém, variaram bastante entre os trabalhos, o que limita a segurança de uma conclusão ampla.
A comparação não foi feita simplesmente entre pessoas que consumiam carne e outras que comiam feijão, lentilha ou grão-de-bico no dia a dia. Entre os 29 estudos, 25 usaram a soja como principal fonte vegetal, enquanto 23 trabalharam com proteínas isoladas ou produtos feitos com isolados. Nas opções animais, os derivados do leite foram predominantes.
Por isso, os resultados não permitem afirmar que qualquer alimento vegetal tenha o mesmo valor nutricional de qualquer alimento de origem animal.
Vantagem animal foi pequena em outras análises
Uma meta-análise publicada em 2026 analisou a síntese de proteína muscular após a alimentação. Houve uma tendência discreta de benefício para fontes animais, sobretudo em participantes de 65 a 85 anos. A diferença foi pequena e cercada de incerteza.
Uma revisão de 2025 também identificou vantagem limitada das proteínas animais para massa muscular quando todos os participantes foram avaliados. No grupo com 60 anos ou mais, essa diferença desapareceu. Não houve diferença significativa em força ou desempenho físico.
Isso sugere que uma resposta muscular um pouco maior logo após a refeição não necessariamente resulta em mais força ou massa muscular depois de semanas ou meses.
Quantidade e exercício importam
A manutenção dos músculos com o envelhecimento depende também do total de proteína consumido e da prática de atividade física, especialmente exercícios de resistência, como musculação.
Para adultos saudáveis com mais de 65 anos, grupos de especialistas costumam indicar entre 1,0 e 1,2 grama de proteína por quilo de peso corporal por dia. A necessidade pode mudar conforme o estado de saúde, o nível de atividade e as condições clínicas.
Esse intervalo não é uma prescrição para todas as pessoas acima dos 50 anos. Doenças renais e outras condições médicas podem exigir orientação específica.
As evidências atuais não mostram que seja obrigatório abandonar alimentos de origem animal nem que seja impossível preservar os músculos sem eles. Fontes vegetais podem integrar uma alimentação com proteína suficiente, variedade e planejamento. A origem da proteína é apenas um dos fatores envolvidos na manutenção da força e da massa muscular.








