Uma revisão sistemática publicada no Journal of American College Health analisou 29 estudos sobre exergames e indicou que algumas modalidades alcançam intensidade compatível com atividade física moderada ou vigorosa. Os jogos também podem facilitar o início de uma rotina mais ativa para quem tem dificuldade de seguir formatos tradicionais de exercício.
A proposta dos exergames é fazer com que o jogador use o corpo para avançar na experiência. Em vez de apenas apertar botões, a pessoa pode dançar, lutar, praticar esportes virtuais, realizar gestos ou controlar ações com movimentos físicos.
O que determina o resultado
O efeito não é igual em todos os casos. Ele depende do tipo de jogo, da intensidade dos movimentos, da frequência de uso, da duração das sessões e do nível inicial de condicionamento físico.
Um jogo de dança com movimentos constantes exige mais do corpo do que uma experiência que envolve apenas os braços por alguns minutos. O tempo de atividade também pode aumentar porque a atenção fica voltada para desafios, metas, pontuações e recompensas, reduzindo a percepção de esforço.
Esses jogos podem usar sensores de movimento, realidade virtual, controles que reconhecem gestos e plataformas de equilíbrio. Entre as opções estão atividades de dança, esportes virtuais, lutas, exercícios de coordenação e experiências de realidade virtual.
Complemento, não treino completo
Os exergames podem estimular o movimento, aumentar o gasto energético e desenvolver algumas capacidades físicas. Ainda assim, não reúnem automaticamente tudo o que é necessário para um programa de treinamento.
Quem busca ganhar força, melhorar o desempenho esportivo, preparar-se para uma competição ou desenvolver resistência específica precisa de estímulos planejados para esses objetivos. Por isso, o jogo ativo funciona melhor como complemento ou como ponto de partida para quem ainda não criou o hábito de se movimentar.
Uma revisão com intervenções baseadas em exergames encontrou aumento de atividade física em diferentes populações, mas apontou variações de acordo com o jogo e a maneira como ele é aplicado.
Crianças e iniciantes
Crianças e adolescentes estão entre os públicos mais estudados. A combinação de tecnologia e jogos pode aumentar a motivação para a atividade física e contribuir para o desenvolvimento de habilidades motoras quando há intensidade e frequência adequadas.
Isso não significa substituir outras experiências. Correr, brincar ao ar livre, praticar esportes, interagir com outras crianças e desenvolver diferentes habilidades motoras também fazem parte da infância.
Para pessoas que não gostam de exercício ou passam muito tempo paradas, o formato pode tornar o começo menos associado à obrigação. A diversão pode ser uma porta de entrada para aumentar o nível de movimento.
Cuidados durante o uso
Mesmo com aparência de brincadeira, o exergame envolve esforço físico. Pessoas sedentárias devem aumentar a intensidade aos poucos. Movimentos rápidos e saltos exigem espaço adequado, e dor, desconforto ou fadiga excessiva indicam a necessidade de reduzir o ritmo.
A recomendação é combinar o jogo com outras atividades. Exergames não foram criados para substituir corrida, natação, futebol, musculação ou outros esportes. A tecnologia pode ser usada como uma ferramenta para ampliar as oportunidades de movimento, desde que faça parte de uma rotina variada.









