Mudanças no comportamento podem ser sinais de que um adolescente enfrenta dificuldades na escola, mesmo quando ele não conta o que está acontecendo. Vergonha, medo de represálias e receio de não ser compreendido estão entre os motivos que podem levar ao silêncio.
A Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), do IBGE, mostrou que 27,2% dos estudantes brasileiros disseram ter sofrido provocações de colegas que causaram mágoa, incômodo, ofensa ou humilhação duas ou mais vezes nos 30 dias anteriores à pesquisa realizada em 2024. Em 2019, o índice era de 23%.
7 sinais que merecem atenção
1. Resistência em ir à escola
Inventar desculpas para faltar, pedir para ser buscado ou demonstrar ansiedade antes de sair de casa pode indicar uma situação desconfortável. O comportamento também pode estar ligado a problemas acadêmicos, conflitos familiares ou ansiedade. O ideal é conversar sem acusar ou pressionar.
2. Isolamento repentino
Ficar mais reservado faz parte das mudanças da adolescência. A preocupação aumenta quando o jovem deixa de encontrar amigos, abandona atividades de que gostava, passa muito tempo sozinho ou demonstra medo de determinados colegas. O UNICEF relaciona afastamento social, perda de motivação e isolamento a possíveis efeitos do cyberbullying.
3. Queda no rendimento escolar
Alterações persistentes nas notas, na participação em sala e na entrega de atividades podem aparecer quando a escola passa a ser associada a medo, constrangimento ou insegurança. Uma prova ruim, isoladamente, não confirma um problema.
4. Mudanças no humor
Irritabilidade, tristeza, ansiedade e alterações bruscas de comportamento merecem observação, principalmente quando permanecem e surgem junto de outros sinais. O Ministério da Saúde inclui a prevenção das violências entre os cuidados de atenção psicossocial para adolescentes e jovens.
5. Dores e mal-estar frequentes
Dor de cabeça, dor de estômago, náusea e outros sintomas físicos podem acompanhar sofrimento emocional. Quando aparecem antes da escola ou em dias específicos, é importante observar o padrão. Queixas físicas também precisam de avaliação quando necessário.
6. Mudanças nas redes sociais
Agressões, ameaças, humilhações e exposição de conteúdos podem ocorrer em redes sociais, aplicativos de mensagens e plataformas de jogos. Medo ao receber mensagens, abandono repentino de redes ou angústia após acessar uma plataforma podem indicar um problema online. A conversa deve respeitar a privacidade do adolescente e evitar uma investigação invasiva.
7. Alterações no sono ou na alimentação
Dormir mais ou menos que o habitual, ter dificuldade para dormir ou apresentar mudanças importantes no apetite pode acompanhar períodos de estresse. Esses sinais têm várias possíveis causas e ganham importância quando aparecem combinados e persistem.
Como a família pode agir
Nem toda agressão é visível. Apelidos, comentários sobre aparência, exclusão de grupos, humilhações em mensagens e exposição de fotos ou vídeos podem ocorrer sem a presença de adultos.
Dados da PeNSE apontam a aparência do rosto, do cabelo e do corpo e a raça entre os principais motivos associados aos relatos de bullying. As meninas tiveram 30,1% de relatos recorrentes, ante 24,3% entre os meninos.
A família pode começar perguntando como está a escola, com quem o adolescente convive e se há alguma situação que o incomoda. Se ele relatar bullying, deve ser ouvido sem culpa ou minimização. Orientações para ignorar, revidar ou resolver tudo sozinho não substituem o envolvimento da escola.
Em casos de cyberbullying, o UNICEF recomenda procurar um adulto de confiança e denunciar as situações às plataformas. Guardar mensagens e capturas de tela pode ajudar a registrar os acontecimentos.
Se as mudanças forem intensas ou persistentes, houver sofrimento emocional importante ou dificuldade para manter atividades habituais, a família pode buscar ajuda. A Unidade Básica de Saúde integra a rede de atendimento do SUS. O Ministério da Saúde informa ainda que adolescentes e jovens de 13 a 24 anos podem usar a plataforma Pode Falar, com escuta gratuita e opção de atendimento anônimo, de segunda a sábado, das 8h às 22h.
Ameaças, violência, risco à integridade física, sinais de automutilação ou pensamentos de morte exigem atenção urgente e acionamento da rede de proteção.
Nenhum sinal confirma sozinho a existência de bullying. O principal alerta é uma mudança significativa no comportamento, sobretudo quando vários sinais aparecem ao mesmo tempo. Escutar sem julgar, levar o relato a sério e envolver a escola e a rede de proteção são medidas importantes.









