Daniela Mercury se apresenta no Palco Sunset do Rock in Rio 2026 em 12 de setembro, ao lado dos Gilsons e do Olodum. O show está marcado para 17h50 e vai reunir axé, samba-reggae e tradição afro-baiana na Cidade do Rock.
A cantora afirmou que vê o encontro como uma demonstração de força cultural. Para Daniela, a apresentação será um “manifesto de soberania cultural, de beleza, de ancestralidade”. Ela também relacionou o momento ao período de ameaças à soberania brasileira e defendeu a união por meio da música e da cultura.
Axé e reconhecimento nacional
Em 2026, o álbum Feijão com Arroz completa 30 anos. Ao lembrar o período, Daniela falou sobre a dificuldade de fazer a música produzida na Bahia conquistar espaço em um mercado historicamente concentrado no eixo Rio-São Paulo.
A artista disse que o axé e a expansão do samba-reggae ajudaram o país a olhar para uma produção cultural que já tinha força própria. Ela também criticou a valorização excessiva do que vem de fora e afirmou que o Brasil precisa reconhecer mais o que é produzido dentro do próprio país.
Os dados apresentados na conversa mostram a força dos artistas nacionais. Em 2025, 75,2% dos streams consumidos no Brasil foram de brasileiros. No mesmo ano, 47 das 50 músicas mais ouvidas no país eram nacionais. O Brasil ainda chegou à oitava posição entre os maiores mercados de música gravada do mundo.
Daniela afirmou que o país costuma medir sua importância pela economia, e não pela cultura. Para ela, o Brasil é soberano culturalmente.
Carreira e autonomia
A cantora soma 26 álbuns lançados e cerca de 20 milhões de discos vendidos. Em 2026, também foi anunciada entre os artistas que receberão o Lifetime Achievement Award, Prêmio à Excelência Musical da Academia Latina da Gravação.
Ao falar sobre a indústria fonográfica, Daniela disse que enfrentou as gravadoras com argumentos, pesquisa e confiança na relação com o público. Ela também comparou suas experiências às dificuldades relatadas por Anitta e resumiu sua visão sobre a carreira: “Ser artista é resistir, é perseguir um propósito.”
Aos 60 anos, Daniela continua descrevendo o palco como seu templo e sua casa. Ela lembrou que subiu ao Teatro Castro Alves pela primeira vez aos nove anos e afirmou que o axé, além de um gênero musical, representa uma energia capaz de atravessar a tristeza.








