Robson Calixto da Fonseca, conhecido como “Peixe”, foi o intermediário de um pedido de emenda parlamentar encaminhado ao gabinete do senador Flávio Bolsonaro. Ex-assessor de Domingos Brazão, ele foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em fevereiro de 2026, por organização criminosa armada no caso do assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes.
A emenda, no valor de R$ 199.999,79, foi negociada entre outubro e novembro de 2023. O dinheiro seria destinado a um projeto de futebol infantil ligado ao Ifop, na Taquara, na Zona Oeste do Rio, área de influência dos irmãos Brazão.
Atuação no caso Marielle
Calixto é ex-policial militar e foi assessor de Domingos Brazão no Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ). A Polícia Federal o apontou como um dos principais interlocutores dos irmãos Brazão, acusados de serem os mandantes do assassinato de Marielle Franco.
Na delação premiada de Ronnie Lessa, assassino confesso da vereadora e do motorista, Calixto aparece como a pessoa que o apresentou aos mandantes. Lessa também afirmou que “Peixe” providenciou a submetralhadora HK MP5 usada nas mortes.
A Polícia Federal identificou Calixto como intermediário entre Domingos e Chiquinho Brazão e outros executores ligados à milícia. Para a Procuradoria-Geral da República (PGR), ele era homem de confiança dos irmãos e transmitia ordens, além de garantir a lealdade do grupo.
Pedido ao gabinete de Flávio Bolsonaro
Enquanto as investigações sobre o caso Marielle estavam em andamento, em 2023, Calixto procurou Maria de Fátima Bezerra Castro, secretária parlamentar do gabinete de Flávio Bolsonaro no Senado Federal. No celular apreendido pela PF, o contato da assessora estava salvo como “Fafá Flávio Bolsonaro”.
A defesa de Flávio Bolsonaro afirmou que a emenda foi executada dentro da legalidade. De acordo com a nota, a entidade apresentou notas fiscais dos materiais comprados e devolveu os valores não utilizados. A defesa também declarou que a responsabilidade pela aplicação dos recursos era da entidade beneficiária, e não do parlamentar.
Condenação
O STF condenou Robson Calixto em fevereiro de 2026 por integrar uma organização criminosa armada ligada à estrutura miliciana dos irmãos Brazão. A condenação ocorreu no processo relacionado às mortes de Marielle Franco e Anderson Gomes, ocorridas em março de 2018.








