SÃO PAULO — O Ministério Público de São Paulo prendeu, nesta quinta-feira, 3, o ex-diretor-geral da Diretoria Executiva da Administração Tributária (DEAT) André Weiss e o advogado João André Buttini de Moraes. A investigação aponta que os dois integravam a liderança de uma organização criminosa que cobrava propina para favorecer empresas na análise e na liberação de créditos tributários.
Segundo os promotores do Gedec, Buttini atuava no núcleo privado do grupo. Ele teria captado grandes contribuintes, negociado honorários e supostas facilidades indevidas, definido a divisão dos valores e repassado pagamentos ao núcleo público, liderado por Weiss.
Pagamentos investigados
A apuração afirma que Buttini foi contratado por grandes empresas do varejo e recebia honorários de êxito. Parte do dinheiro seria destinada a auditores fiscais responsáveis por acelerar, destravar ou aprovar pedidos administrativos.
O esquema é descrito como “fura-fila” do ICMS e teria funcionado na Secretaria de Estado da Fazenda e Planejamento de São Paulo pelo menos desde 2002. De acordo com a delação do auditor fiscal Paulo Sérgio Siqueira do Prado, conhecido como “PP”, Buttini teria pago aproximadamente R$ 13,6 milhões a André Weiss entre meados de 2021 e agosto de 2025.
Os investigadores citam entregas em dinheiro no estacionamento do Shopping Iguatemi, notas fiscais emitidas por empresas ligadas ao advogado João Carlos de Oliveira e 12 notas fiscais lançadas contra uma empresa de comercialização de frango entre março e agosto de 2025. Para o Ministério Público, os serviços descritos nesses últimos documentos não teriam sido realizados.
A investigação também identificou aproximadamente R$ 383,4 milhões em ingressos efetivos de terceiros ligados a Buttini. Entre as empresas mencionadas estão Buttini de Moraes Sociedade de Advogados, BM Tax, BM Investimentos e Participações e BM Gestão Patrimonial.
Mandados e afastamentos
Weiss ocupou cargos como Delegado Regional Tributário, diretor da Diretoria de Fiscalização (DIFIS), coordenador da CFIS e diretor-geral da DEAT, função exercida até maio de 2026. O Ministério Público afirma que ele usou sua influência sobre servidores em benefício do grupo.
A ação cumpriu 47 mandados de busca e atingiu 27 investigados. A operação é um desdobramento da Operação Ícaro, deflagrada em agosto de 2025. Entre os alvos estão três auditores, dois inspetores fiscais e ex-funcionários do Fisco.
Todos os agentes públicos que ainda estavam na ativa foram afastados. A Promotoria pediu o bloqueio de credenciais e a proibição de acesso à Secretaria da Fazenda. Para ex-servidores, solicitou a suspensão de atividades de intermediação, consultoria e representação de contribuintes em processos de ressarcimento de ICMS-ST.
O Ministério Público atribui a Weiss o recebimento posterior de cerca de R$ 4,5 milhões em dinheiro vivo. Os repasses teriam ocorrido em mochilas, em restaurantes e outros estabelecimentos na região de Pinheiros, na zona oeste de São Paulo.
Os citados podem se manifestar, e o espaço permanece aberto para respostas.









