SÃO PAULO — O décimo Festival piauí de Jornalismo reuniu jornalistas e estudantes na Cinemateca Brasileira, em São Paulo, durante o fim de semana. O encontro marcou os vinte anos da revista piauí e teve a participação de oito jornalistas de sete países.
A programação passou por temas como pressão sobre redações, golpes de Estado, censura, espionagem, desigualdade racial, financiamento de veículos e perseguição a religiões de matriz africana.
Memória e autoritarismo
O jornalista salvadorenho Carlos Dada falou sobre a comunicação do governo de Nayib Bukele com os jovens e contou uma anedota para resumir o chamado bukelismo. Na história, um empresário brasileiro pergunta como aplicar no Brasil o modelo de combate ao crime de El Salvador. Dada responde que seria necessário mapear as favelas e lançar uma bomba sobre elas. Diante da reação de que isso mataria inocentes, conclui: “Viu? Eis o método Bukele.”
Ao comentar o artigo Rakudianai, publicado em 2011, Persio Arida criticou a Lei da Anistia. Para ele, o apagamento da memória favorece o retorno dos fantasmas. O debate também mencionou o Oito de Janeiro.
Desigualdade nas redações
Dean Baquet, primeiro e único negro a dirigir o New York Times, falou sobre as dificuldades enfrentadas por pessoas negras para permanecer e crescer no jornalismo. Ele citou o peso das redes de contato, que nem sempre estão disponíveis ou são assimiladas por esses profissionais.
A jornalista indiana Manisha Pande, do Newslaundry, afirmou que usa o humor para aliviar o impacto das notícias. O nigeriano e iorubano Musikulu Mojeed, do Premium Times, comentou ter se surpreendido com a perseguição a religiões de matriz africana no Brasil.
Modelos de financiamento
Olga Rudenko, do The Kyiv Independent, explicou que o veículo recebeu ofertas de dinheiro de oligarcas, mas conseguiu obter mais recursos por meio de assinaturas.
Também participaram Luz Mely Reyes, do Efecto Cocuyo; Ana Clara Costa; Celso Rocha de Barros; Fernando de Barros e Silva; Jeffrey Goldberg, da revista The Atlantic; e João Pedro Mendes, estudante de jornalismo da UFRJ e morador de Campos dos Goytacazes (RJ).
O festival terminou no domingo, 6 de setembro, após debates sobre a atuação da imprensa em cenários de crise política e social.








