A execução de Nidal Hasan será a primeira realizada pelas Forças Armadas dos Estados Unidos desde 1961 e a primeira conduzida por um pelotão de fuzilamento desde a Segunda Guerra Mundial. A possibilidade de transmitir o procedimento ao vivo provocou críticas de parlamentares, da ONU e de organizações de direitos humanos.
Hasan, de 56 anos, é um psiquiatra militar muçulmano de origem palestina. Ele foi condenado pelo ataque de 2009 na base militar Fort Hood, no Texas, inspirado pela Al Qaeda. Treze pessoas morreram, entre elas 12 militares. Hasan ficou ferido na coluna vertebral durante o ataque e se desloca em cadeira de rodas.
A execução está marcada para 3 de dezembro. Trump confirmou a realização na segunda-feira, mas ainda não definiu se haverá transmissão pública. “Estão tomando uma decisão sobre isso, mas ele será executado”, declarou o presidente na Casa Branca.
Críticas à transmissão
O alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, classificou a transmissão ao vivo como uma forma de tortura. Kyinzom Dhongdue, da Anistia Internacional, disse que a proposta representa um desprezo pela dignidade humana.
A organização afirmou que transformar uma execução determinada pelo Estado em espetáculo público aumentaria a crueldade da pena de morte e prolongaria o ciclo de violência. O arcebispo católico Paul Coakley, presidente da conferência episcopal dos Estados Unidos, também condenou a iniciativa.
O vice-presidente JD Vance se afastou do anúncio feito pelo secretário de Defesa, Pete Hegseth, de tornar a execução pública. “Se for transmitido ao vivo, não assistirei”, disse Vance durante uma viagem a Ohio.
Reação no Congresso
A proposta recebeu críticas de democratas e republicanos. O senador republicano John Curtis afirmou que uma civilização se degrada quando transforma execuções em espetáculo. O deputado republicano Austin Scott disse apoiar a pena de morte, mas comparou transmissões desse tipo às ações de jihadistas.
Jack Reed, principal democrata na Comissão de Forças Armadas do Senado, chamou a ideia de vergonhosa e afirmou que ela poderia ser usada por recrutadores de terroristas antiamericanos. O senador Chris Murphy classificou a decisão como repugnante e disse que execuções públicas são medievais.
Um alto funcionário do Pentágono havia informado que a execução seria transmitida ao vivo depois de Hegseth declarar que garantiria que as pessoas pudessem vê-la. A última execução militar nos Estados Unidos ocorreu em 1961, quando John Bennett foi enforcado por estupro e tentativa de homicídio. Segundo o Centro de Informação sobre a Pena de Morte, 135 soldados foram executados pelo Exército dos Estados Unidos desde 1916.









