Cuba acusou o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, de pressionar governos estrangeiros antes da votação de uma resolução que pede o fim do embargo americano. A Assembleia Geral da ONU deve analisar o texto em 28 de outubro.
A denúncia foi divulgada nesta quarta-feira (14), um dia após Rubio conversar por telefone com o presidente de El Salvador, Nayib Bukele. Em comunicado, o Departamento de Estado afirmou que o secretário disse que o governo cubano não faria as reformas esperadas enquanto acreditasse ter apoio da comunidade internacional.
Acusações do governo cubano
O ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, afirmou na rede social X que Rubio estaria pressionando e chantageando chefes de Estado e de governo para alterar o apoio à resolução. Rodríguez também acusou o secretário americano de tentar esconder as consequências das sanções contra a população cubana e envolver outros países nessa política.
O vice-ministro das Relações Exteriores, Carlos Fernández de Cossío, fez acusação semelhante em uma publicação no Facebook. Para ele, Rubio tenta intimidar e chantagear governos de diferentes regiões para influenciar a votação.
A Assembleia Geral vota anualmente, desde 1992, uma resolução sem caráter obrigatório pelo fim do embargo dos Estados Unidos, que está em vigor desde 1962. O texto costuma ter apoio amplo entre os países.
Em 2025, a resolução teve 165 votos a favor, sete contra e 12 abstenções. Foi o menor nível de apoio registrado em pelo menos uma década. Na ocasião, autoridades cubanas atribuíram a queda a uma ação diplomática de Washington, que teria pedido votos contrários ou abstenções por causa de supostos vínculos de cubanos com forças russas mobilizadas na Ucrânia.
As sanções americanas contra Cuba foram reforçadas durante o segundo governo de Donald Trump. Desde janeiro, os Estados Unidos mantêm um bloqueio petrolífero contra a ilha, em meio à crise econômica e energética.








