VENEZUELA — Protestos contra os apagões se espalham pelo país em meio a racionamentos que duram, em média, de sete a 12 horas por dia. Manifestantes bloqueiam estradas, queimam pneus e batem panelas durante a noite para exigir o restabelecimento da energia.
No início da semana, uma rodovia que liga o oeste à capital, Caracas, foi bloqueada por troncos e pneus velhos. A mobilização provocou uma fila quilométrica de veículos. No estado de Táchira, uma estrada foi fechada na terça-feira (6), após quatro dias sem eletricidade.
Demanda acima da geração
A procura por energia aumentou nas últimas semanas por causa das altas temperaturas. No fim de setembro, a demanda chegou a 16.400 megawatts, o maior nível desde 2017, segundo a presidente interina Delcy Rodríguez. Especialistas estimam que o país gere, em média, cerca de 12.000 megawatts.
A Venezuela tem as maiores reservas de petróleo do mundo e precisa de mais eletricidade para ampliar a produção. O setor elétrico enfrenta anos de desinvestimento, corrupção e má gestão. A abertura do petróleo a grandes transnacionais ocorre nove meses depois da captura de Nicolás Maduro em uma operação dos Estados Unidos.
Em Maracaibo, capital de Zulia, o comerciante Daiwuin Terán afirmou que o descontentamento é visível. “As pessoas andam mal-humoradas, irritadas, estressadas”, disse.
Em Guacara, no estado de Carabobo, a falta de energia também afeta o comércio e as famílias. Jaqueline Jiménez relatou que os cortes acontecem até quatro vezes no mesmo dia e impedem a compra de carne e frango, que acabam estragando.
Caracas não passa por racionamentos, mas registra oscilações constantes de voltagem. Em outras regiões, moradores afirmam ficar entre 40 e 80 horas sem luz por semana.
Medidas do governo
Delcy Rodríguez assinou acordos com empresas transnacionais, como a GE Vernova, para recuperar 5.000 megawatts em quatro anos. Em agosto, ela determinou a redução da jornada de trabalho no setor público para tentar conter a crise.
Durante uma visita a Caracas em setembro, o secretário de Energia dos Estados Unidos, Chris Wright, mencionou um plano de cinco anos para recuperar o sistema elétrico. Para Alejandro Grisanti, da Ecoanalítica, a demanda deve crescer mais rápido que a capacidade de geração.









