URUGUAI — A Praxis, empresa cofundada por Dryden Brown, escolheu o Uruguai para desenvolver um projeto de cidade voltado a milionários, com regras próprias e benefícios fiscais para novos residentes. A iniciativa será ligada ao complexo imobiliário +Colonia, em Colônia do Sacramento, no sul do país.
A empresa chegou a considerar áreas do Mediterrâneo e a compra da Groenlândia. A tentativa no território groenlandês não avançou após a recusa das autoridades dinamarquesas. Dryden Brown também reconheceu que a população local veria a ideia de ser comprada como “quase um insulto”.
Da comunidade online ao projeto urbano
A Praxis surgiu em grupos do Discord, Telegram e Signal que reuniam milionários anarcocapitalistas e pessoas ligadas ao universo das criptomoedas. O projeto se inspira no conceito de “network state”, formulado por Balaji Srinivasan, ex-diretor técnico da Coinbase.
A proposta prevê uma comunidade formada online em torno de valores comuns, que compra um território e depois busca reconhecimento diplomático. No site oficial, a Praxis afirma ter mais de 4 mil pessoas prontas para participar.
Em 2023, a empresa já havia recebido quase 20 milhões de dólares de fundos de capital de risco e investidores do setor de tecnologia, entre eles Sam Altman, Peter Thiel e Sam Bankman-Fried.
O plano no Uruguai
O país foi escolhido por sua estabilidade política, regras transparentes e regime de isenção fiscal para novos residentes, que pode durar 11 anos. Brown também descreveu o Uruguai como “uma vibe de Suíça na América do Sul”, com “ondas incríveis”.
O projeto +Colonia será construído em Colônia do Sacramento, a 45 km de Buenos Aires em linha reta. Eduardo Bastitta, presidente do empreendimento e ex-assessor econômico de Javier Milei, afirmou que a Praxis planeja investir 1 bilhão de dólares nas primeiras fases.
O acordo entre as empresas ainda é, em grande parte, não vinculativo. Bastitta disse que a compra dos terrenos não havia sido concluída. Os primeiros moradores são esperados apenas a partir de meados de 2027.
Brown afirmou que pretende respeitar as leis uruguaias e que não reivindica autonomia política. O historiador Raymond Craib, da Universidade de Cornell, lembrou que projetos de cidades privadas desse tipo não tiveram sucesso até agora. Um dos exemplos citados é o projeto Próspera, em Honduras, envolvido em um processo de arbitragem internacional após o governo local revogar a lei que o autorizava.









