JAPÃO — Livreiros e trabalhadores do mercado de livros usados relataram compras em grande escala feitas em intervalos precisos, levantando a suspeita de que as obras estejam sendo usadas para treinar inteligências artificiais.
Os pedidos foram identificados em sebos e livrarias de diferentes partes do país, principalmente nos gêneros de filosofia, medicina e história. As compras chamaram atenção porque ocorrem com uma precisão considerada incompatível com o comportamento de compradores humanos.
Pedidos em grande escala
Uma livraria de Tóquio vendeu mais de mil livros para um único endereço de entrega. Em outro estabelecimento, milhares de obras foram solicitadas para uma empresa estrangeira. Todas as publicações escolhidas eram de não ficção.
Os lotes são levados a um centro de distribuição no Distrito de Okayama. Quando outros jornais questionaram o endereço final das remessas, representantes não responderam.
A possibilidade de uso em sistemas de inteligência artificial ganhou força depois que a Anthropic revelou estar comprando livros para treinar o Claude. Nesse processo, as obras são escaneadas e destruídas depois, consideradas inúteis após o uso.
Debate sobre direitos autorais
Os livreiros japoneses demonstram sentimentos mistos diante das vendas. A movimentação gera retorno financeiro, mas também provoca preocupação com a destruição dos livros depois da digitalização.
No Japão, o uso de conteúdo protegido pode ser permitido quando não há aproveitamento direto da obra. O texto também prevê uma exceção: se a prática causar prejuízo injustificado ao titular dos direitos autorais, como a obstrução de receita, ela deixa de ser legal.
Ainda não foi esclarecido quem faz as compras nem qual é o destino final dos livros adquiridos.








