Shawn Layden, ex-presidente da Sony Interactive Entertainment (SIE) Worldwide Studios, criticou a decisão da Sony de encerrar a produção de discos físicos para seus consoles. A posição foi apresentada em entrevista ao podcast The Expansion Pass.
Layden entrou na Sony em 1987 e deixou a liderança dos estúdios mundiais da empresa em 2019. Para ele, embora os jogos digitais ofereçam conveniência, a parcela que ainda compra mídia física tem importância estratégica para a marca.
O peso dos jogos físicos
O ex-executivo considera que, mesmo se 80% dos jogadores escolherem downloads e 20% continuarem comprando discos, esse grupo menor não deveria ser deixado de lado. Na avaliação dele, quem opta pela mídia física tende a demonstrar maior lealdade e pode comprar várias cópias de um mesmo jogo, em um comportamento associado a colecionadores.
Layden afirmou que não concorda com a decisão da Sony, mas reconheceu que não tem acesso aos dados financeiros internos capazes de explicar a estratégia. Segundo ele, sua análise parte do comportamento visível do mercado, e não de informações privilegiadas.
A discussão sobre propriedade
A principal dúvida levantada por Layden envolve o que o consumidor realmente compra quando não pode revender ou transferir um jogo. Se a transação representa apenas uma licença de acesso, e não a posse de um produto, a relação entre consumidor e fabricante muda.
“o que o consumidor de fato adquire quando não pode revender ou transferir um produto”, questionou Layden.
Ele também disse que a incerteza sobre a permanência das bibliotecas digitais pode levar jogadores a imaginar o pior cenário, desgastando a confiança na marca. O ex-presidente espera que a decisão tenha sido tomada com base em fundamentos sólidos.
Layden já havia demonstrado ceticismo sobre uma transição completa para o formato digital. Ele avalia que a permanência da demanda por discos pode influenciar as estratégias de Xbox e Nintendo.
Na visão apresentada por ele, um console de próxima geração como o PS6 teria dificuldade de aceitação se custasse US$ 1.000, trouxesse avanços modestos e não tivesse suporte para discos físicos.








