Mais de 234 mil pessoas tiveram pelo menos uma dispensação da profilaxia pré-exposição ao HIV, conhecida como PrEP, nos 12 meses anteriores. No mesmo período, quase 84 mil abandonaram o tratamento, de acordo com dados do Ministério da Saúde.
Os números mostram que o acesso à prevenção aumentou, mas também indicam uma dificuldade em manter o uso da estratégia ao longo do tempo. A adesão não depende apenas de tomar um comprimido. Ela envolve reconhecer uma possível exposição, buscar informação, fazer o teste, conversar com um profissional e escolher uma forma de prevenção que caiba na rotina.
Barreiras no cuidado
Decisões sobre saúde sexual podem ser influenciadas por relacionamentos, percepção de risco, medo de julgamento e estigmas. Por isso, a existência de uma tecnologia eficaz não garante que ela será incorporada por quem pode se beneficiar dela.
Outra barreira é a ideia de que o HIV atinge apenas “os outros”. Embora determinadas populações sejam desproporcionalmente afetadas e precisem de políticas específicas, associar a prevenção exclusivamente a grupos considerados de maior risco pode afastar pessoas que não se identificam com eles.
Diferentes caminhos para a prevenção
O SUS permanece essencial na resposta brasileira, e a ampliação da oferta pública é uma das bases do cuidado. A prevenção também pode ter diferentes portas de entrada. A PrEP oral disponível no mercado privado e em farmácias amplia as possibilidades para quem busca o método, sem substituir a política pública.
A redução das barreiras passa por facilitar o acesso à informação, à avaliação profissional e à estratégia adequada. O Brasil registra avanços, como a redução da mortalidade por Aids e a eliminação da transmissão vertical do HIV, além da expansão da testagem, do tratamento e da PrEP.
A atenção à saúde sexual também precisa fazer parte do cuidado básico. Isso inclui acolher dúvidas, desejos e dificuldades sem julgamentos, considerando sexualidade, prazer e qualidade de vida em todas as fases da vida.
A ciência tornou a prevenção mais eficaz. O desafio apontado pelos dados é aproximar essas ferramentas da vida cotidiana e permitir que sejam conhecidas, acessíveis e possíveis de manter.









