A disfunção erétil pode ter causas vasculares, hormonais, neurológicas, psicológicas ou estar relacionada ao uso de determinados medicamentos. Por isso, a escolha do tratamento depende da identificação do mecanismo predominante em cada paciente.
Quando há suspeita de alteração vascular, o ultrassom Doppler peniano dinâmico avalia a circulação durante a ereção. O exame observa a chegada do sangue pelas artérias e a capacidade de mantê-lo nos corpos cavernosos. Assim, pode ajudar a diferenciar problemas arteriais, disfunção veno-oclusiva, quadros mistos e casos sem origem vascular.
O Doppler não é indicado rotineiramente para todos os homens com disfunção erétil. Em situações selecionadas, também pode mostrar placas da doença de Peyronie, fibrose e variações vasculares. Os resultados ajudam a orientar opções como medicamentos, injeções intracavernosas e, em casos específicos, cirurgia.
O que dizem os estudos
A avaliação vascular ganhou importância com o avanço da terapia de ondas de choque de baixa intensidade, conhecida como LiSWT ou LI-ESWT. O tratamento é estudado principalmente para a disfunção erétil vasculogênica.
Um ensaio clínico publicado no The Journal of Urology em 2022 acompanhou homens com disfunção erétil moderada. Depois de três meses, 79% dos pacientes tratados atingiram a diferença mínima considerada clinicamente importante no IIEF-EF, índice usado para avaliar a função erétil. No grupo submetido ao procedimento simulado, nenhum paciente alcançou esse resultado.
Uma revisão sistemática e metanálise publicada no European Urology reuniu 14 estudos e 833 pacientes. O trabalho encontrou melhora significativa na função e na rigidez erétil, principalmente em casos leves a moderados. Outra metanálise de ensaios randomizados também apontou melhora nesses parâmetros.
Perfil com maior possibilidade de resposta
Os resultados mais favoráveis aparecem em homens com disfunção erétil vasculogênica leve a moderada. Pacientes que já respondem a inibidores da PDE5, como sildenafil e tadalafil, também tendem a apresentar melhor resposta, possivelmente porque mantêm alguma reatividade vascular.
Um estudo publicado no Urology, com 425 pacientes, analisou fatores relacionados ao resultado. Gravidade inicial da disfunção erétil, idade, diabetes, hipertensão, tabagismo, obesidade, dislipidemia e duração do problema foram associados à resposta. A perspectiva foi mais favorável entre pacientes com quadros leves a moderados.
O diabetes exige atenção. Alguns estudos indicam respostas menores, principalmente quando o controle metabólico é inadequado. Isso não exclui todos os pacientes diabéticos, mas torna a condição metabólica parte importante da decisão.
Limites das evidências
Uma revisão Cochrane publicada em 2025 reuniu 21 estudos randomizados e 1.357 homens. O trabalho encontrou possível melhora da função erétil e da rigidez peniana com ondas de choque, mas classificou como baixa a certeza da evidência, devido às diferenças entre estudos e protocolos.
Em 2026, uma revisão sistemática e metanálise publicada no The Journal of Sexual Medicine identificou melhora estatisticamente significativa da função erétil após um, três e seis meses. Em boa parte dos estudos, porém, o resultado não atingiu a diferença mínima considerada clinicamente importante.
Os protocolos ainda variam em número de sessões, quantidade de pulsos, frequência das aplicações e densidade de energia. Por isso, as ondas de choque não devem ser tratadas como solução para todas as causas de disfunção erétil. A terapia também não substitui o controle de diabetes, hipertensão, colesterol elevado, tabagismo, sedentarismo e excesso de peso, nem a investigação de causas hormonais, neurológicas ou psicológicas.
As evidências são mais favoráveis para casos vasculogênicos leves a moderados. A avaliação do mecanismo da disfunção e do perfil vascular pode ajudar a identificar quem tem maior possibilidade de se beneficiar do tratamento.
Ivan Selegatto – CRM 174225-SP | RQE 99749








