Michael Brian Davis, sócio da Go Up nos Estados Unidos, recusou o pedido da Polícia Federal para entregar voluntariamente documentos sobre as despesas de produção de “Dark Horse”. O filme é baseado na biografia de Jair Bolsonaro.
Davis afirmou que a produtora só fornecerá documentos societários, contábeis, fiscais, bancários ou contratuais após uma ordem de um juiz norte-americano. Ele também disse que pedidos das autoridades brasileiras devem seguir canais diplomáticos e de cooperação jurídica internacional.
Pedido da Polícia Federal
A solicitação foi feita em 19 de agosto a Karina Gama, sócia da Go Up no Brasil. A PF pediu faturas emitidas e recebidas no exterior, contratos com atores estrangeiros, como Jim Caviezel, além de comprovantes e relatórios financeiros.
Os investigadores querem verificar a realização de despesas divulgadas publicamente como de aproximadamente R$ 54,2 milhões em território norte-americano. A defesa de Karina enviou ao Supremo Tribunal Federal documentos da produção, incluindo comprovantes de parte dos gastos, e anexou a resposta de Davis.
Em e-mail enviado a Karina em 2 de setembro, Davis informou que não encaminharia os papéis por orientação dos advogados da empresa. “Qualquer produção, exibição ou entrega de documentos ocorra somente mediante ordem emanada de juiz norte-americano”, afirmou.
Investigação sobre o financiamento
Documentos da PF e da Procuradoria-Geral da República apontam que Flávio Bolsonaro era interlocutor direto de Daniel Vorcaro nas tratativas para investimentos no filme. Desde julho, o senador é formalmente investigado por negociar o repasse de pelo menos US$ 24 milhões, hoje aproximadamente R$ 122,7 milhões, para a produção.
O material indica ainda que Eduardo Bolsonaro administrava o dinheiro levantado para o longa-metragem. A PF apura a arrecadação e suspeita que parte dos recursos tenha custeado as despesas de Eduardo nos Estados Unidos.
Flávio havia prometido divulgar uma prestação de contas, mas passou a atribuir à Go Up a divulgação de um balanço. Nesta sexta-feira (11), após a retirada do sigilo de parte dos documentos pelo ministro André Mendonça, ele pediu o fim da confidencialidade sobre o material.
“Para mim, a melhor coisa que pode acontecer é a transparência total sobre esse assunto”, disse o senador. Documentos da investigação indicam que, dos US$ 24 milhões negociados, pelo menos US$ 12,3 milhões, cerca de R$ 62,9 milhões, foram efetivamente pagos.








