Uma mensagem apreendida pela Polícia Federal indica que Flávio e Eduardo Bolsonaro pediram uma reunião com Daniel Vorcaro para tratar do filme “Dark Horse”. O contato ocorreu em 18 de março de 2025, no mesmo dia em que Eduardo anunciou que havia decidido permanecer nos Estados Unidos.
O pedido foi enviado a Vorcaro pelo publicitário Thiago Miranda, que intermediava as tratativas. Às 9h34, ele escreveu: “Flavio B e Eduardo querem marcar uma agenda com vc. Filme.” Às 11h37, Eduardo convocou uma live para comunicar a decisão sobre sua permanência no país.
O relatório da PF não informa se Vorcaro respondeu à mensagem ou se a reunião foi realizada. O documento integra o inquérito que apura suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas relacionadas ao financiamento do filme. Flávio e Eduardo estão entre os investigados.
A PF também analisa se parte dos recursos do filme teria sido usada para bancar Eduardo nos Estados Unidos. Ele nega essa relação e afirma que nunca conversou ou se reuniu com Vorcaro. “De forma inequívoca: nunca me encontrei com Vorcaro, pessoalmente ou por videoconferência”, disse Eduardo em nota. A equipe de Flávio não comentou.
Repasses e investigação
O primeiro repasse para “Dark Horse” ocorreu em 13 de fevereiro de 2025, no valor de US$ 2 milhões. Outros pagamentos foram identificados pela PF, incluindo transferências para o fundo Havengate, nos Estados Unidos, controlado por Paulo Calixto, advogado de Eduardo.
Em 21 de março de 2025, três dias após o pedido de reunião, Thiago Miranda encaminhou a Vorcaro uma captura de tela atribuída a Eduardo com orientações sobre a gestão dos recursos nos Estados Unidos. Em 24 de março, foram registrados repasses de US$ 2 milhões e US$ 1,66 milhão.
A PF identificou ainda quatro transferências de US$ 1,66 milhão em 2025, fora das datas previstas no contrato. O empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro, afirmou em delação premiada ter enviado US$ 12 milhões, equivalentes a R$ 72 milhões, ao Havengate.
Flávio teria negociado US$ 24 milhões, ou R$ 134 milhões, com Vorcaro para financiar o filme em homenagem ao ex-presidente Jair Bolsonaro. A PF apontou a necessidade de esclarecer a origem, o percurso, a destinação e os beneficiários finais dos valores. O documento foi tornado público por decisão do ministro André Mendonça, do STF.








