O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) registrou transferências de R$ 19,205 milhões feitas por Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, para uma conta da Igreja Batista da Lagoinha Belvedere no Banco do Brasil. O relatório foi encaminhado à Polícia Federal e também descreve operações com veículos de luxo e imóveis.
O documento reúne movimentações de pessoas físicas e empresas ligadas a Zettel. Ao todo, são mencionadas 823 pessoas: 303 físicas e 520 empresas. A instituição financeira responsável pela análise classificou parte das operações como incompatível com o patrimônio declarado, a atividade econômica ou a capacidade financeira dos envolvidos.
Movimentações da igreja
A conta da Igreja Batista da Lagoinha Belvedere movimentou R$ 57,1 milhões entre 24 de dezembro de 2024 e 8 de dezembro de 2025. Zettel aparece como procurador e representante legal da instituição.
O relatório associa a ele 26 lançamentos que somam R$ 19,205 milhões. Os recursos recebidos pela igreja eram destinados principalmente a empresas ligadas à construção civil. Entre os pagamentos citados estão R$ 86.200,27 para a AFEB Estruturas Metálicas e R$ 62.636,81 para a BPO Gestão de Disponível.
Carros e imóveis
A Moriah Asset Empreendimentos e Participações, relacionada a Zettel, comprou uma Range Rover por R$ 1,53 milhão em abril de 2025. Parte do valor, R$ 1,23 milhão, foi paga com um veículo usado, e R$ 300 mil ficaram financiados. O Coaf afirmou não ter identificado a origem do valor usado como entrada.
Em dezembro de 2025, a empresa também aparece na compra de um Cadillac Escalade por R$ 1,6 milhão e de um Audi RS6 por R$ 650 mil.
Outra empresa ligada a Zettel, a Super Empreendimentos e Participações, comprou um imóvel da Grip Negócios Imobiliários por R$ 48 milhões. O valor de referência era de R$ 6,99 milhões. O relatório menciona ainda um adiantamento de R$ 5 milhões antes da formalização da venda.
Em outra operação, um imóvel foi vendido à Super Empreendimentos por R$ 16,99 milhões, enquanto a referência indicada era de R$ 3,74 milhões. Houve antecipação de R$ 11 milhões, sem indicação do meio de pagamento.
O sigilo das investigações da Polícia Federal sobre o caso Master foi retirado pelo ministro André Mendonça, após pedido do ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal.









