A avaliação negativa do trabalho dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) chegou a 47%, o maior índice da série histórica iniciada em 2019, segundo pesquisa Datafolha divulgada neste sábado (26). Em maio, o percentual era de 40%.
A avaliação positiva ficou em 18%, mesmo nível registrado em dezembro de 2019. Outros 31% consideram o desempenho da corte regular, enquanto 4% não opinaram.
Entre eleitores de Lula (PT), 32% avaliam o trabalho dos ministros como ótimo ou bom. Entre os eleitores de Flávio Bolsonaro (PL), o índice é de 6%. Na avaliação negativa, 69% dos eleitores de Flávio consideram o trabalho ruim ou péssimo, contra 24% entre os eleitores de Lula.
Condutas e código de ética
A pesquisa também avaliou seis possíveis condutas de ministros durante o exercício do cargo. A mais rejeitada foi julgar processos de uma pessoa cujo advogado seja parente do ministro: 88% consideram a prática inaceitável.
Para 85%, também é inaceitável aceitar convites para eventos pagos por empresas com ações no tribunal. Já 82% rejeitam decisões que beneficiem ou prejudiquem candidatos a presidente durante o período eleitoral.
As práticas com menor rejeição, embora ainda sejam consideradas inaceitáveis pela maioria, são ser sócio de empresa privada e receber pagamentos por palestras de empresas privadas, ambas com 78%. Dar entrevistas ou opiniões públicas sobre processos em julgamento foi rejeitado por 71%.
A maioria também apoia a criação de um código de ética específico para ministros do STF. Ao todo, 45% são favoráveis à proposta, sendo 23% totalmente a favor e 23% em parte. Outros 33% são contrários, 5% não são a favor nem contra e 17% não souberam responder.
A proposta é uma das bandeiras de Edson Fachin na presidência do tribunal. Em fevereiro, ele anunciou Cármen Lúcia como relatora. A iniciativa enfrenta resistência interna na corte.
Suspeitas sobre o caso Master
O Datafolha informou que 77% dos entrevistados conheciam suspeitas ligando ministros do STF ao caso Master. Entre essas pessoas, 68% acreditam que houve envolvimento de ministros, 2% discordam e 7% não souberam responder.
As suspeitas envolvem Dias Toffoli, Alexandre de Moraes, Kassio Nunes Marques e André Mendonça. Relatórios da Polícia Federal e do CNJ relacionam Nunes Marques a articulações para beneficiar Daniel Vorcaro, do Banco Master. Mendonça afirmou que uma reunião com o banqueiro ocorreu oficialmente, em seu gabinete.
A pesquisa foi realizada de terça (22) a quinta (24), com 2.002 eleitores, por abordagem pessoal em pontos de fluxo populacional. A margem de erro máxima é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O registro no TSE é BR-00304/2026.








