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Prefeitura de SP aprovou planilha de ONG ligada a 'Dark Horse' que indica ponto de Wi-Fi em praia carioca
Política

Planilhas do WiFi Livre têm pontos fora de SP e datas futuras

Documentos validados pela Prefeitura de São Paulo trazem coordenadas, CEPs e datas de instalação inconsistentes em contrato com o ICB.

Planilhas do programa WiFi Livre, administrado pelo Instituto Conhecer Brasil (ICB), apresentam erros em endereços, CEPs, coordenadas geográficas e datas de instalação. Os documentos foram validados pela Prefeitura de São Paulo, que contratou a entidade para instalar pontos de internet em regiões da periferia da capital.

Em um dos registros, as coordenadas indicam a Ilha de Paquetá, no município do Rio de Janeiro, embora o endereço informado seja a rua Angelo Bini, no Conjunto Residencial José Bonifácio, em Itaquera. O ponto aparece como instalado em outubro de 2024. As coordenadas são latitude -22,762988 e longitude -43,110262.

As inconsistências também apontam para Jundiaí e Sorocaba. Ao todo, 37 pontos aparecem fora de São Paulo quando as coordenadas são consultadas. Há ainda 17 pontos com erros de CEP. Desses, 16 usam códigos de outras cidades: 15 de Ferraz de Vasconcelos e um de Cotia. Outro registro, em Cidade Tiradentes, traz o CEP 00941-465, que não corresponde a um código postal válido no país.

Diferenças entre as planilhas

Uma planilha enviada pelo ICB em 19 de janeiro de 2025 reúne 2.673 pontos instalados entre agosto de 2024 e janeiro de 2025. Outra, apreendida em 10 de junho de 2026 durante uma ação na Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia, registra 2.929 pontos.

As bases têm 2.673 registros em comum e a segunda inclui outros 256 pontos. Embora os equipamentos sejam os mesmos, as datas de instalação mudaram para 2026. Um ponto da rua Emílio Castro, no Jardim Damasceno, aparece como instalado em dezembro de 2024 na primeira planilha e em dezembro de 2026 na segunda. Nos dois documentos, o link consta como ligado.

O contrato foi assinado em junho de 2024. O ICB recebeu mais de R$ 100 milhões e, após dois aditamentos, o valor total passou de R$ 157 milhões. As extensões ocorreram em junho de 2025 e janeiro de 2026.

A Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia afirmou que os pontos são fiscalizados desde a instalação por monitoramento técnico e georreferenciado. A pasta também disse que a execução foi comprovada com documentos e fotografias e que inconsistências cadastrais são comunicadas ao instituto.

O ICB declarou que as planilhas representam “momentos distintos de atualização da base operacional do projeto” e que a base mais recente deve ser usada no acompanhamento da execução. A entidade também afirmou que utiliza o georreferenciamento para monitorar os pontos.

O contrato é alvo de investigações da Polícia Federal e da Polícia Civil de São Paulo. Em um relatório, a Polícia Federal apontou indícios de uma triangulação financeira de ao menos R$ 6,1 milhões entre empresas e entidades ligadas à empresária Karina Ferreira da Gama. A Polícia Civil afirmou ter identificado “consistentes suspeitas” de desvio de recursos do WiFi Livre para financiar a produção do filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Texto produzido pela Redação Olhar Agora com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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