A Polícia Federal apontou quatro possíveis crimes na investigação sobre a participação de Flávio Bolsonaro nas negociações para financiar o filme Dark Horse, produção sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro: lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e organização criminosa.
A apuração foi aberta por decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), após pedido da PF com aval da Procuradoria-Geral da República (PGR). O procedimento busca identificar a origem e o destino dos recursos usados no filme.
Suspeitas sobre o dinheiro
Na hipótese de lavagem de dinheiro, a PF investiga se empresas e um fundo nos Estados Unidos foram usados para esconder ou dificultar a identificação dos recursos. O documento cita transferências da Entre Investimentos e Participações para o Havengate Development Fund LP. Em 2025, as remessas somaram US$ 12,3 milhões, valor próximo ao previsto em um contrato de investimento de US$ 24 milhões na produção.
A corporação quer esclarecer a origem do dinheiro, o motivo do uso da empresa nas transferências e quem recebeu os valores ao fim da operação.
A suspeita de evasão de divisas envolve o envio de recursos ao exterior. A PF vai verificar se as operações usaram informações falsas, terceiros ou identificação incorreta dos destinatários, além de apurar se a finalidade declarada correspondia ao uso efetivo do dinheiro.
Relação com Daniel Vorcaro
Flávio aparece na investigação por causa de mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro. Segundo a PF, o candidato manteve contato direto com o empresário e cobrou pagamentos ligados ao filme.
Em setembro de 2025, Flávio demonstrou preocupação com atrasos e mencionou compromissos com o ator Jim Caviezel e o diretor Cyrus Nowrasteh. No mês seguinte, disse que a produção estava “no limite” e pediu que Vorcaro avisasse se não pudesse fazer o aporte, para que buscasse outra alternativa.
A PF apura se essas tratativas tiveram relação com eventual corrupção ativa ou passiva, por meio de oferta, solicitação ou recebimento de vantagem indevida ligada à função pública de um agente político.
A quarta hipótese é a de organização criminosa. A corporação investiga se houve atuação organizada e permanente de várias pessoas para movimentar o dinheiro, esconder beneficiários e dificultar a identificação do destino dos recursos.
Além de Flávio, a representação cita Eduardo Bolsonaro, Mário Frias, Thiago Miranda Silva, Fabiano Zettel, Paulo Calixto, Altieres Santana e Antônio Freixo.
Mensagens obtidas na apuração indicam que Flávio procurou Vorcaro para conseguir cerca de R$ 130 milhões para o filme. Planilhas apreendidas pela PF apontam que aproximadamente R$ 60 milhões teriam sido repassados.
Flávio Bolsonaro nega irregularidades e afirma que todos os recursos destinados à produção tiveram origem privada.









