A Polícia Federal afirma que Ibaneis Rocha participou de decisões estratégicas do Banco de Brasília (BRB) durante as tratativas para a compra do Banco Master, de Daniel Vorcaro. Relatórios enviados ao Supremo Tribunal Federal apontam que o então governador do Distrito Federal também esteve em uma reunião sobre o negócio, em Zurique, na Suíça.
O encontro ocorreu em 23 de janeiro de 2025 e reuniu Ibaneis, Vorcaro e Paulo Henrique Costa, que presidia o BRB na época. Uma pessoa identificada no relatório como “Leonardo” também participou. Três dias antes, Paulo Henrique havia informado ao banqueiro que Ibaneis tinha pedido o agendamento da conversa.
A investigação foi baseada em mensagens obtidas nos celulares de Daniel Vorcaro e Paulo Henrique Costa, que estão presos. As conversas indicam que as negociações começaram em outubro de 2024, antes do anúncio oficial da tentativa de aquisição.
Atuação apontada pela PF
Para os investigadores, Ibaneis atuou em quatro áreas: articulação com agentes privados, validação de decisões operacionais, definição da estratégia de expansão do BRB e autorização de valores para o aumento de capital do banco.
“As comunicações demonstram que decisões estratégicas relevantes eram submetidas previamente à sua apreciação”, afirma a PF no relatório. O documento classifica a atuação como um indicativo de “captura institucional”, expressão usada para descrever decisões alinhadas a interesses específicos, em prejuízo das finalidades públicas da instituição.
Entre outubro de 2024 e fevereiro de 2025, o BRB comprou R$ 9,52 bilhões em carteiras de crédito emitidas pelo Banco Master. Relatórios anteriores da PF indicaram que o valor poderia chegar a R$ 16,7 bilhões ao longo de aproximadamente um ano.
Defesa nega interferência
A defesa de Ibaneis Rocha afirma que ele não pressionou nem interferiu nas operações do BRB. Os advogados sustentam que Paulo Henrique Costa tinha autonomia para conduzir as negociações e que os contatos entre os dois ocorreram em contexto institucional.
A defesa também diz que Ibaneis não aparece como interlocutor direto nas mensagens trocadas com Vorcaro. Segundo os advogados, o nome do ex-governador é citado pela PF em quatro oportunidades, quantidade que, na avaliação deles, não permite atribuir responsabilidade a Ibaneis.









