Mauricio Moura, sócio do Zaftra Fund e fundador do Instituto Ideia, avalia que o nível de abstenções, votos brancos e nulos pode decidir a eleição presidencial já no primeiro turno, no próximo domingo (4). O chamado “não-voto” reúne essas três formas de não participação.
Para Moura, se esse índice ficar entre 31% e 32%, a probabilidade de definição na primeira etapa será muito alta. O cenário-base, porém, ainda é de segundo turno. A avaliação foi apresentada no TAG Summit 2026, organizado pelo Market Makers, nesta terça-feira (29).
Disputa entre Lula e Flávio
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) são os candidatos com possibilidade de vitória caso a eleição termine no primeiro turno. Na avaliação de Moura, Flávio conta com o crescimento de nomes competitivos contra Lula na reta final e com a transferência de votos de adversários ideologicamente próximos.
O executivo também relaciona o resultado ao perfil de quem deixa de votar. Cerca de 20% dos eleitores que não participam têm baixa renda e baixa escolaridade. Em 2022, 5 milhões de analfabetos não compareceram, o que, segundo Moura, costuma reduzir entre 1,5 ponto e 2,5 pontos a votação do PT.
Lula, por outro lado, teria fatores favoráveis na reta final. Moura cita a baixa energia da campanha de Flávio e o menor engajamento e popularidade do senador em comparação com Jair Bolsonaro. Para avançar em boas condições ao segundo turno, Lula precisaria superar o segundo colocado por pelo menos 4 pontos e alcançar mais de 49% dos votos válidos. Com resultado entre 45% e 47%, a situação seria difícil.
Cenário em caso de vitória de Flávio
Moura afirma que Flávio Bolsonaro se tornaria rapidamente impopular se fosse eleito, independentemente do turno. Segundo ele, o senador poderia enfrentar metade do eleitorado contra seu governo logo no início e depender do Centrão e do Congresso para governar.
O eventual segundo turno teria três semanas de campanha, com acusações, fake news e pouca discussão sobre propostas. Para Moura, a rejeição aos dois candidatos poderia elevar a abstenção nessa etapa.
O executivo também criticou a reação do mercado às oscilações de ativos provocadas pelas perspectivas eleitorais. Na avaliação dele, a percepção dos investidores sobre o que é positivo para a economia diverge da visão da opinião pública.








