Centenas de milhares de pessoas participaram nesta sexta-feira (18) de uma manifestação organizada pelo governo iraniano em Teerã. Durante o ato, voluntários se comprometeram a receber treinamento militar e defender o país na guerra contra os Estados Unidos e Israel, iniciada em fevereiro.
O chefe da Guarda em Teerã, general Hassan Hassanzadeh, afirmou à emissora estatal que mais de 600 mil pessoas já tinham se registrado. A expectativa, segundo ele, era treinar mais de 1 milhão. A emissora estimou que mais de 300 mil participantes estavam nas ruas na manhã desta sexta-feira.
Recrutamento e demonstração militar
A iniciativa foi apresentada como “Janfaday-e Iran”, expressão traduzida como “aqueles que sacrificam suas vidas pelo Irã”. Os voluntários marcharam pelo centro de Teerã com uniformes de combate e bandeiras, enquanto eram aplaudidos por espectadores.
A mídia estatal vem incentivando a adesão à campanha e informou que o treinamento com fuzis de assalto começará em breve. Os novos integrantes devem atuar como uma camada adicional de segurança ao lado da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) e da Basij, braço voluntário da Guarda.
O novo chefe da Basij, Hossein Taeb, disse que os recrutas estarão preparados para uma “defesa em larga escala”. Ele também afirmou que atos semelhantes serão realizados em outras cidades e declarou que os participantes representarão um “pesadelo” para os inimigos do Irã. O presidente Masoud Pezeshkian, comandantes militares e outras autoridades acompanharam a marcha.
Participantes pisotearam bandeiras dos Estados Unidos e de Israel e entoaram gritos de “Morte à América” e “Morte a Israel”. A iraniana Marzieh Afaghi, de 24 anos, afirmou que não temia ameaças de Donald Trump.
Durante o evento, a Guarda exibiu baterias antiaéreas e drones usados contra navios no Estreito de Ormuz. Integrantes mulheres da corporação também permaneceram junto a metralhadoras instaladas em caminhões.
O ato ocorreu enquanto a economia iraniana sofre os efeitos de um bloqueio naval americano aos portos do país e de novas sanções dos Estados Unidos contra Teerã. A mobilização também sinalizou disposição de setores da liderança iraniana para reprimir possíveis novos protestos contra a teocracia.
Em janeiro, manifestações nacionais começaram por causa da situação econômica e depois incorporaram outras reivindicações. Ativistas afirmam que a repressão deixou mais de 7 mil mortos e dezenas de milhares de detidos. Em maio, autoridades disseram que mais de 30 milhões de pessoas haviam se voluntariado, mas essa informação não foi confirmada de forma independente.








