Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira (10) que não precisa passar o governo discutindo ajuste fiscal. Em entrevista ao SBT News, o presidente disse que faz os ajustes na prática e citou seus três mandatos como prova de responsabilidade fiscal.
Lula declarou que os dois primeiros governos foram marcados por 12 anos de responsabilidade fiscal. Também afirmou que recebeu um governo com déficit de 2,8% do PIB e sem orçamento.
O presidente criticou a elite financeira, frequentemente associada à Faria Lima, e disse que o grupo não considera questões sociais e de inclusão ao discutir o crescimento da dívida pública. Lula também afirmou que não há político ou banqueiro com autoridade para questionar sua responsabilidade fiscal.
Salário mínimo e bets
Lula defendeu o aumento do salário mínimo como uma das principais políticas públicas de sua gestão. Segundo ele, a medida amplia o poder de compra e melhora a vida dos trabalhadores, sem provocar inflação. O presidente disse que, enquanto estiver no cargo, o salário mínimo terá reajuste pela inflação e pelo crescimento do PIB.
Sobre as bets, Lula afirmou que ainda vai decidir quais medidas serão adotadas. Ele disse que ouviu especialistas e entidades da sociedade civil em reunião no Palácio do Planalto, além de ter organizado as sugestões recebidas.
No início deste mês, o presidente afirmou ser pessoalmente favorável à proibição das apostas. Também criticou empresas que não têm sede no Brasil e não pagam impostos. Para Lula, a cobrança só reduz o lucro quando impede a atividade, e não quando permite o funcionamento de empresas que ele classificou como parte de uma prática danosa.
Banco Master e pesquisas
Lula disse que avisou Daniel Vorcaro, em um encontro realizado em dezembro de 2024, que o Banco Master seria analisado como qualquer outra instituição. O presidente afirmou que o banco foi fechado e que Vorcaro foi preso durante seu governo porque, segundo ele, o banqueiro não estava correto.
Sobre as pesquisas de intenção de voto, Lula disse que os resultados não o abalam. Ele afirmou que os levantamentos servem para indicar o que deve ser feito, mas que não pretende conduzir a campanha apenas com base nas pesquisas.
Em um eventual quarto mandato, o presidente afirmou que pretende priorizar a educação. Ele citou a construção de universidades e institutos federais, a ampliação do acesso ao ensino superior e a implantação de escolas de tempo integral. Também disse que quer cumprir o plano nacional aprovado pelo Congresso Nacional e investir no ensino médio.
Segurança e crise no STF
Lula afirmou que a PEC da segurança pública deve ser votada pelo Congresso logo após a eleição. Entre as propostas citadas estão a transformação de 138 presídios em unidades de segurança máxima e mais investimentos na Polícia Federal, na inteligência e na Polícia Rodoviária Federal.
Ao falar sobre a crise no Supremo Tribunal Federal, o presidente disse que Alexandre de Moraes, André Mendonça ou Edson Fachin devem ser punidos caso as investigações comprovem envolvimento irregular no caso das fraudes do Banco Master. Ele defendeu que a apuração seja ampla e que a lei seja aplicada a todos.
Lula criticou vazamentos seletivos e os conflitos públicos entre ministros. Também afirmou que uma investigação da Suprema Corte não deveria interferir no processo eleitoral. Para ele, decisões tomadas durante períodos eleitorais podem ser interpretadas como ações com viés político e afetar a credibilidade do tribunal.
O presidente elogiou Fachin por assumir a relatoria de processos relacionados aos conflitos e disse esperar que ele ajude a reorganizar o tribunal. Lula também afirmou confiar em Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal, mas declarou que ele deverá ser punido se tiver participação no caso Master.
Lula defendeu ainda a discussão sobre mandatos para ministros do STF e uma nova reforma do Judiciário. Ele disse que pretende consultar especialistas e a sociedade civil antes de apresentar propostas para a mudança.








