KIEV — O enviado especial dos Estados Unidos Jared Kushner afirmou que Israel está agindo de forma “um tanto irracional” em alguns aspectos na Faixa de Gaza por causa das eleições previstas para 27 de outubro. A declaração foi feita durante uma entrevista coletiva em Kiev, capital da Ucrânia.
Kushner disse que os Estados Unidos e Israel estão de acordo sobre o objetivo final para o enclave, mas que questões políticas no país dificultam as decisões. Ele afirmou que a eleição será caótica e que os governos estão tentando resolver os impasses.
O enviado também declarou que Gaza deixou de funcionar há muito tempo e criticou a forma como a ajuda humanitária era distribuída. Segundo ele, a Organização das Nações Unidas gastava três vezes mais por pessoa em Gaza do que na Síria, enquanto parte dos recursos era desviada para financiar uma organização terrorista.
Kushner afirmou ainda que houve aumento da ajuda humanitária durante o último ano e disse, sem apresentar dados específicos, que Gaza agora tem uma das menores taxas de desnutrição do mundo.
A declaração contrasta com um alerta feito no fim de junho pelo diretor de Saúde e Mobilização Social da Médicos do Mundo, Ricardo Angora. Ele afirmou que a população de Gaza, da Cisjordânia e do Líbano enfrenta uma crise sanitária de grandes proporções, com insegurança alimentar e hídrica, más condições sanitárias, destruição de hospitais e ataques contra instalações de saúde.
Desmilitarização
Kushner voltou a falar sobre a retirada das armas da Faixa de Gaza e reconheceu que o processo não será fácil. Poucas semanas antes, ele havia previsto avanços nessa questão em um prazo de 30 dias, depois de se reunir com o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu.
Netanyahu se opôs ao roteiro do Conselho de Paz. Kushner havia prometido que a reconstrução de Gaza não começaria antes da conclusão do desarmamento das milícias palestinas. A viagem a Kiev foi a primeira de Kushner e Steve Witkoff ao território ucraniano desde o início da guerra em 2022.








