A Justiça italiana marcou para 27 de outubro uma nova audiência sobre o pedido de extradição de Carla Zambelli ao Brasil. A análise está ligada à condenação da ex-deputada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no caso em que ela perseguiu um homem com uma arma pelas ruas de São Paulo, em outubro de 2022.
O julgamento não vai discutir novamente a culpa ou a inocência de Zambelli nem o mérito das condenações determinadas pelo STF. A Justiça italiana deve verificar se o pedido brasileiro cumpre as exigências da legislação local e dos tratados internacionais.
Em julho, a Corte de Cassação italiana anulou a decisão que havia autorizado a extradição e determinou uma nova análise. A alegação de perseguição política apresentada pela defesa foi rejeitada, mas o tribunal pediu garantias adicionais sobre o atendimento médico que Zambelli receberia caso fosse enviada ao Brasil.
A ex-deputada tem fibromialgia e episódios de desmaios. As autoridades brasileiras já enviaram informações sobre a capacidade do sistema prisional de oferecer acompanhamento médico contínuo e tratamento adequado.
Defesa prepara recursos
Eduardo Maurício, advogado que integra a defesa, disse esperar uma nova rejeição do pedido. Ele afirmou que o processo tem problemas ligados à “falta de garantias processuais e a âmbito de direitos humanos e princípios fundamentais”.
A defesa na Itália é conduzida por Pieremilio Sammarco e Alessandro Samarco, em conjunto com o escritório de Maurício. O grupo também prepara duas revisões criminais e dois pedidos para retirar o nome de Zambelli da lista da Interpol.
Segundo Maurício, as condenações brasileiras seriam “abusivas e ilegais”. A defesa questiona a atuação dos ministros Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes, do STF, e diz que provas não teriam sido analisadas de forma adequada. Esses argumentos são contestados pelas decisões judiciais brasileiras.
Zambelli foi condenada a cinco anos e três meses de prisão por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal. Em outro processo, recebeu pena de dez anos pela invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e pela inserção de um mandado de prisão falso contra Alexandre de Moraes.
Após a primeira condenação, em maio de 2025, ela deixou o Brasil e foi para a Itália, onde também tem cidadania. Foi presa no país em julho daquele ano e depois colocada em liberdade.
A Corte de Cassação italiana rejeitou, em maio de 2026, o pedido relacionado à invasão dos sistemas do CNJ. O trecho final das informações também menciona 29 de outubro como data para a retomada do procedimento ligado ao episódio da arma, embora a audiência tenha sido indicada anteriormente para 27 de outubro.






