A TV Globo cancelou, na quinta-feira (1º), o último debate presidencial antes do primeiro turno. O anúncio ocorreu menos de uma hora antes do horário previsto para a transmissão.
A emissora afirmou ter recebido duas notificações judiciais que alteravam regras previamente acordadas. Uma decisão da ministra Stella Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), proibiu a exibição destacada do púlpito vazio reservado a Luiz Inácio Lula da Silva, que havia informado que não participaria do encontro. A magistrada também suspendeu a possibilidade de os candidatos presentes formularem perguntas ao ausente.
A outra decisão foi do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a participação de Renan Santos, fundador do partido Missão. O pedido havia sido apresentado pelo Solidariedade. O ministro estabeleceu que Renan tivesse as mesmas condições de tempo, perguntas e posição dos demais participantes.
Mudanças na lista de candidatos
O debate havia sido planejado com Lula, Flávio Bolsonaro, Augusto Cury e Ronaldo Caiado. O critério inicial da emissora previa o convite a partidos que elegeram pelo menos cinco parlamentares nas eleições gerais de 2022.
Na terça-feira (29), o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, determinou a inclusão de Romeu Zema. A decisão considerou os atuais cinco integrantes do Novo na Câmara dos Deputados, e não apenas os três parlamentares eleitos em 2022.
A inclusão de Renan ocorreu após uma regra da emissora prever o convite ao candidato seguinte mais bem colocado na pesquisa Quaest de 28 de setembro, caso algum participante desistisse. Renan tinha 3% das intenções de voto, enquanto Zema aparecia com 1%.
Desistência de Flávio
Depois da decisão sobre Renan, Flávio Bolsonaro anunciou que não iria ao debate. O senador atribuiu a desistência à “censura imposta ao evento pelo TSE” e escreveu: “A imprensa tem que ser livre e as eleições limpas”.
Valdemar Costa Neto, presidente nacional do Partido Liberal, disse que a decisão foi tomada em conjunto com a campanha. Segundo ele, a ausência de Lula, a proibição do púlpito vazio e a entrada de Renan mudaram as condições do confronto.
A TV Globo declarou que as decisões judiciais tomadas perto do debate geraram insegurança jurídica e interferiram na liberdade de organização do evento. No horário previsto, a emissora informou que exibiria um capítulo inédito da novela Quem Ama Cuida.









