Eduardo Paes construiu uma trajetória política marcada pela passagem da centro-direita para um perfil pragmático de centro. Atualmente, lidera a disputa pelo governo do Rio de Janeiro nas eleições de 2026 e tenta manter diálogo tanto com eleitores conservadores quanto com setores progressistas.
A carreira começou nos anos 1990, na juventude do antigo Partido da Frente Liberal (PFL), sob influência do então prefeito Cesar Maia. Na época, Paes defendia eficiência na administração pública e responsabilidade fiscal. Depois, filiou-se ao Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) e ganhou projeção como deputado federal de oposição ao primeiro governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Também se destacou na CPI dos Correios em 2005.
Da oposição ao centro
No final dos anos 2000, Paes migrou para o Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB, atual MDB). Pela legenda, comandou a Prefeitura do Rio de Janeiro por dois mandatos consecutivos, entre 2009 e 2016. Nesse período, aproximou-se do governo federal petista e passou a priorizar alianças e resultados administrativos.
Hoje, no Partido Social Democrático (PSD), mantém uma posição de centro. O partido reúne lideranças conservadoras e progressistas e permite alianças diferentes conforme o cenário regional. A atuação de Paes é associada à zeladoria urbana, à infraestrutura e à entrega de obras, além de políticas de assistência social.
Nas gestões mais recentes na prefeitura, entre 2021 e 2026, o político ampliou a presença da Guarda Municipal e deu prioridade à ordem pública, mas não adotou a retórica de segurança associada à extrema-direita. Ele deixou a prefeitura em março de 2026 para disputar o Palácio Guanabara.
Aliança com Lula
O presidente Lula, do PT, é o principal apoiador nacional da candidatura de Paes. A aproximação foi testada nas eleições municipais de 2024, quando Paes derrotou Alexandre Ramagem, do PL, apoiado por Jair Bolsonaro, ainda no primeiro turno.
Na disputa estadual de 2026, Paes enfrenta Douglas Ruas, do PL, alinhado a Flávio Bolsonaro e Cláudio Castro. Para ampliar sua presença na Baixada Fluminense, escolheu Jane Reis, do MDB, como vice. A estratégia busca alcançar o eleitorado evangélico e antigas bases da centro-direita.
O apoio do PT é apresentado como uma aliança estratégica para enfrentar candidatos do PL no Rio de Janeiro. Ao mesmo tempo, o perfil de gestão e ordem pública ajuda Paes a manter espaço entre eleitores conservadores, inclusive parte dos que votaram em Jair Bolsonaro.
A trajetória mostra um político que combina alianças com a esquerda, diálogo com o mercado financeiro e políticas voltadas à administração urbana. No cenário fluminense, esse posicionamento permite que a percepção sobre a gestão tenha peso nas disputas locais, além do alinhamento ideológico nacional.






