A retomada dos combates no Iêmen deixou ao menos 63 mortos nesta quinta-feira (17), segundo autoridades militares ligadas ao governo e aos houthis. A ofensiva ocorre em meio à disputa pelo controle da costa do país no Mar Vermelho e do Estreito de Bab el-Mandeb.
Uma autoridade militar do governo informou que 23 soldados morreram em ataques com mísseis e drones nas províncias de Taiz e Lahij. Fontes militares houthis afirmaram que 40 combatentes morreram em ataques aéreos sauditas e confrontos terrestres.
Disputa no Mar Vermelho
Os houthis assumiram na semana passada o controle da costa iemenita banhada pelo Mar Vermelho. Com isso, ampliaram o domínio sobre o Estreito de Bab el-Mandeb, rota que liga o Oceano Índico ao Mar Mediterrâneo.
A Arábia Saudita vinha priorizando esse caminho para suas exportações de petróleo depois que o Irã bloqueou Ormuz, do outro lado da península. A movimentação dos houthis passou a pressionar a rota usada pelo país, maior exportador mundial de petróleo bruto.
O conflito civil, que opõe desde 2014 os houthis ao governo reconhecido internacionalmente e apoiado pela Arábia Saudita, voltou a se intensificar depois de anos de trégua. O Iêmen foi arrastado em julho para o conflito no Oriente Médio, iniciado no fim de fevereiro por uma ofensiva dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã.
Vítima na Arábia Saudita
A Defesa Civil saudita informou nesta quinta-feira a primeira morte no país desde o início dos ataques promovidos pelos houthis. Segundo a agência, estilhaços de um drone interceptado na província de Taif mataram um cidadão iemenita, feriram duas pessoas e danificaram prédios e veículos.
A Arábia Saudita acusou os houthis de lançar um ataque contra Meca. O grupo, por sua vez, afirmou que aviões sauditas atingiram três torres de telecomunicações em Taiz. A emissora Almasirah também relatou um civil morto e outro ferido em bombardeios contra Abs.
Em julho, a trégua firmada em 2022 foi rompida após o pouso de uma aeronave iraniana em Saná. Os houthis então anunciaram um bloqueio marítimo contra a Arábia Saudita e passaram a atacar embarcações e o território do país.
Mais de 100 mil pessoas deixaram suas casas desde a retomada dos combates, de acordo com números divulgados nesta semana pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur).








