GOIÁS — A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) negou neste domingo (27) qualquer envolvimento na criação ou divulgação de informações falsas ligadas às eleições de 2026. A declaração foi divulgada após Flávio Bolsonaro (PL) afirmar, durante um evento de campanha, que integrantes da entidade teriam ajudado a espalhar o boato de que ele pretende retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil.
A CNBB afirmou que não produziu, autorizou nem participou da elaboração ou divulgação de desinformação eleitoral. A instituição também disse repudiar notícias falsas, independentemente de sua origem ou de quem possam beneficiar ou prejudicar.
A entidade declarou ainda que não integra partidos ou candidaturas. Segundo a nota, suas manifestações sobre o processo eleitoral estão ligadas à missão pastoral e a princípios como dignidade humana, democracia e liberdade de consciência.
“Atribuir à CNBB participação em estruturas de produção ou disseminação de desinformação, sem fatos e provas que sustentem tal afirmação, atinge injustamente a instituição”, declarou a Conferência. A nota não cita Flávio Bolsonaro nominalmente e termina com a reafirmação do compromisso com a verdade, o diálogo e a paz.
Origem do boato
A informação falsa sobre Nossa Senhora Aparecida começou a circular nas redes sociais na quinta-feira (24). O conteúdo dizia que Flávio Bolsonaro pretendia retirar da santa o título de Padroeira do Brasil.
A narrativa foi associada a um projeto apresentado em 2007 pelo então deputado federal Victório Galli. A proposta tratava da alteração do título, foi arquivada em 2008 e não foi apresentada por Flávio Bolsonaro.
Na sexta-feira (25), a campanha acionou a Justiça Eleitoral para tentar interromper a circulação do conteúdo. A defesa também apresentou uma notícia-crime ao Ministério Público Eleitoral contra George Marques, servidor da Secretaria de Comunicação Social (Secom) da Presidência da República, acusado de incentivar a disseminação do boato.
O caso gerou decisões diferentes entre André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF). Mendonça determinou a retirada de publicações sobre a narrativa, incluindo uma postagem de Antonio Tabet. Dino derrubou a ordem e determinou o restabelecimento dos conteúdos, citando a liberdade de expressão e religiosa.
Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da candidatura, criticou a decisão e acusou Dino de interferência eleitoral. A equipe jurídica de Flávio também questionou a competência do STF para derrubar a ordem da Justiça Eleitoral.









