Anotações apreendidas pela Polícia Civil de São Paulo na residência atribuída à empresária Karina Gama indicam “Mario” como sócio da Go UP Entertainment, produtora de Dark Horse, filme biográfico sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Investigadores avaliam que a anotação pode se referir ao deputado federal Mario Frias (PL-RJ). A produção recebeu recursos de uma emenda de R$ 2 milhões indicada pelo parlamentar, que afirma não ter relação com a execução dos valores.
Caminho do dinheiro
Os manuscritos formam um esboço de organograma. Uma caixa identificada como “Go Up BR” está ligada a outra, com o nome “Go Up USA”. Dessa segunda caixa sai uma seta para a anotação “sócio Mario”. Entre as duas aparece um círculo com a sigla “IOF”, referência ao Imposto sobre Operações Financeiras e a transferências para os Estados Unidos.
As anotações também relacionam o financiamento do filme ao Instituto Conhecer Brasil (ICB), representado por Karina. A entidade assinou contratos de R$ 108 milhões com a Prefeitura de São Paulo para fornecer sinal Wi-Fi em áreas públicas.
Um inquérito relatado pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, apura se os acordos tinham como finalidade abastecer a produção. A Polícia Federal estima que ao menos R$ 750 mil indicados por Frias tenham sido destinados ao filme.
Dino autorizou, no domingo, 13, a elaboração de relatórios de inteligência financeira pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Os documentos devem detalhar movimentações entre contas bancárias de pessoas físicas e jurídicas. O Ministério Público e a Polícia Civil de São Paulo já tinham pedido a medida.
Investigações e investimentos
Dark Horse também recebeu aproximadamente R$ 64 milhões de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Uma empresa dele, a Entre Investimentos, fez o aporte por meio do fundo Havengate, sediado nos Estados Unidos e controlado por Paulo Calixto, ligado a Eduardo Bolsonaro.
O advogado de Karina, Ricardo Sayeg, disse desconhecer a participação de Frias nos negócios. Ele afirmou que, caso confirmada, a sociedade não configuraria ilícito: “O parlamentar não tem qualquer impedimento de fazer parte de uma sociedade”.
A assessoria de Frias não se manifestou no domingo, 13. Um assessor identificado como Diego disse que o gabinete funciona de segunda a sexta-feira, em horário comercial.








