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Relatório da Abin aponta pressão dos EUA sobre eleições e relação com Brasil
Política

Relatório da Abin aponta pressão dos EUA sobre eleições e relação com Brasil

Documento reservado foi enviado à Presidência, ao TSE e ao Ministério da Justiça no fim de agosto.

A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) identificou risco de influência ou interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras deste ano. O órgão também registrou uma tendência de aumento da pressão estadunidense sobre o Brasil.

O relatório reservado foi encaminhado no fim de agosto à Presidência da República, ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ao Ministério da Justiça. A avaliação classifica a possibilidade de interferência externa com um “nível de criticidade”.

Pressão em várias frentes

O documento relaciona a avaliação à prioridade do segundo governo de Donald Trump de reafirmar a hegemonia dos EUA na América Latina. Entre os objetivos citados está o afastamento de rivais, como a China, de ativos estratégicos, riquezas naturais e infraestruturas da região.

A Abin aponta que as ações dos Estados Unidos contra o Brasil se intensificaram nos últimos meses. Além do risco eleitoral, o país passou a enfrentar medidas econômicas e políticas consideradas prejudiciais aos interesses nacionais.

Em abril de 2025, os EUA começaram a aplicar tarifas de exportação sobre produtos brasileiros. Inicialmente, a cobrança era de 10% para vários países. Em 30 de julho, Trump assinou uma Ordem Executiva que classificou o Brasil como uma “ameaça incomum e extraordinária à segurança nacional dos EUA” e elevou a tarifa total para 50%.

Depois, os Estados Unidos anunciaram uma sobretaxa de 25% sobre 19% das exportações brasileiras. Também foi aplicada uma tarifa de 12,5%, sob a justificativa de que o Brasil não teria mecanismos eficazes contra a importação de produtos feitos com trabalho forçado. Atualmente, parte das exportações brasileiras para o país pode ser tributada em até 37,5%.

Entre as justificativas apresentadas pelo governo Trump estão a regulação das redes sociais no Brasil, o uso do PIX, o desmatamento ilegal e acordos preferenciais com México e Índia. A Justiça brasileira havia limitado a atuação de plataformas como Rumble e X, em decisões relacionadas à incitação de discursos de ódio e a atentados contra a democracia.

Sanções e embates diplomáticos

Os Estados Unidos também aplicaram a Lei Magnitsky a Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), e à esposa dele, a advogada Viviane Barci Moraes. Em dezembro de 2025, os nomes dos dois foram retirados da lista de sancionados.

Outros ministros do STF — Luís Roberto Barroso, Edson Fachin, Cármen Lúcia, Flávio Dino, Cristiano Zanin e Gilmar Mendes — tiveram os vistos de entrada nos EUA cancelados.

Em maio deste ano, o Departamento de Estado americano designou o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas. Em 4 de agosto, os EUA revogaram o visto da embaixadora brasileira no país, Maria Luiza Ribeiro Viotti. O governo brasileiro contestou a justificativa e afirmou que a medida violou a Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas.

Contatos entre Lula e Trump

Apesar das divergências, Luiz Inácio Lula da Silva afirma que mantém boa relação pessoal com Trump. “Eu me dou muito bem com o Trump”, disse o presidente em eventos e entrevistas.

Os dois se encontraram pela primeira vez na Assembleia Geral da ONU, em setembro de 2025, e voltaram a conversar em Kuala Lumpur, na Malásia, no mês seguinte. O encontro mais recente ocorreu em maio deste ano, em Washington, quando Lula defendeu que os EUA têm superávit na relação comercial com o Brasil e negou a existência de “prática desleal”.

Os presidentes também conversaram por telefone ao menos quatro vezes. A ligação mais recente, com 1h20 de duração, ocorreu em agosto. Na próxima terça-feira (22), ambos estarão na 81ª Assembleia Geral da ONU, em Nova York. Não há encontro bilateral marcado entre eles.

Texto produzido pela Redação Olhar Agora com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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