Uma ação apresentada por grupos de direitos civis e pela cidade de Denver tenta impedir formalmente a presença do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) em locais de votação nos Estados Unidos. O pedido cita uma lei da época da Guerra Civil que limita a atuação de agentes federais armados em áreas eleitorais.
A preocupação aumentou depois que o secretário de Segurança Interna, Markwayne Mullin, afirmou neste mês que agentes podem voltar a aparecer em seções eleitorais em novembro. O governo negou durante meses que houvesse planos para isso, mas casos isolados foram registrados no último ano, geralmente ligados à busca ou investigação de pessoas específicas.
Ativistas também fazem simulações com cenários que envolvem o ICE ou a Guarda Nacional. O Pentágono afirma não ter planos de enviar tropas às urnas. A rede No Kings, responsável por protestos contra Donald Trump em seu segundo mandato, prepara uma campanha pelo voto antecipado, com manifestações previstas para 17 de outubro.
A Associação dos Partidos Democratas Estaduais anunciou nesta segunda-feira (14) o New Battlefield Project. A iniciativa quer recrutar 10 mil voluntários para acompanhar locais de votação caso agentes federais armados apareçam. O plano inclui ainda uma rede de compartilhamento de informações sobre ameaças e manipulação online.
Mobilização e disputa jurídica
A presidente da associação e do Partido Democrata de Nebraska, Jane Kleeb, disse que os voluntários poderiam filmar a eventual presença de pessoas armadas perto das urnas. “Há todo um novo campo de batalha agora”, afirmou.
O grupo Indivisible diz ter preparado respostas para 17 cenários. Ezra Levin, integrante da organização, afirmou: “Nunca nos preparamos para um evento de sabotagem eleitoral como estamos fazendo agora”. A entidade diz que sua prioridade continua sendo aumentar o comparecimento.
Ativistas planejam manifestações em massa se houver tentativa de interferência na votação ou na contagem das cédulas. Especialistas em direito também orientam juízes sobre como agir diante de possíveis tentativas de apreensão de material eleitoral.
As articulações ocorrem após Trump tentar reverter a derrota para Joe Biden em 2020. Desde que voltou à Casa Branca, o republicano nomeou aliados envolvidos na contestação daquele pleito e perdoou mais de mil pessoas processadas pelo ataque de 6 de janeiro de 2021 ao Capitólio.
A Casa Branca rejeita as acusações. A porta-voz Lauren Blis disse que os temores sobre as eleições são alimentados por democratas e defendeu a identificação do eleitor e regras para garantir que apenas cidadãos americanos votem.
Trump também pressionou republicanos por mapas eleitorais que ampliem cadeiras seguras para o partido na Câmara e tentou mudar regras de votação. Tribunais barraram medidas por ordem executiva, incluindo uma tentativa de restringir o voto pelo correio. Um dos casos está na Suprema Corte.
As eleições de novembro definirão se os republicanos manterão o controle das duas Casas do Congresso. O Comitê Nacional Republicano afirma ter recrutado um número recorde de observadores. A porta-voz Ally Triolo disse que a legenda montou sua maior operação de integridade eleitoral para assegurar cada voto legal.









