A possibilidade de uma nova queda no desmatamento global em 2026 é considerada improvável pelos autores do Forest Declaration Assessment. O relatório atribui o alerta ao El Niño, que pode aumentar os riscos de seca e incêndios em florestas tropicais, e à piora na Bacia do Congo.
Em 2025, o mundo perdeu pouco mais de 7 milhões de hectares de floresta, uma redução de 15% em relação a 2024. O balanço é produzido por um coletivo que reúne cientistas, ONGs e grupos de análise.
América Latina puxa melhora
A zona tropical da América Latina e do Caribe registrou a maior redução: 28% na comparação com 2024. Ainda assim, a região perdeu 2,54 milhões de hectares de floresta, o maior volume entre as áreas analisadas.
O relatório relaciona parte desse resultado a decisões políticas específicas em países como o Brasil. Os autores, porém, afirmam que esse avanço pode ficar vulnerável a mudanças políticas e a pressões estrangeiras.
Erin Matson, especialista da Climate Focus e coautora do estudo, classificou o resultado como “promissor” e disse que ele mostra ser possível avançar. Ela também afirmou que 2025 representa uma exceção, e não uma nova trajetória.
África Central no sentido oposto
Na Bacia do Congo, o desmatamento chegou a 2,4 milhões de hectares no ano passado. Pela primeira vez, o nível ficou comparável ao registrado na América Latina.
Sam Nguiffo, advogado e fundador do Centro para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, em Camarões, chamou o cenário de “desastre”. Para ele, a agricultura e a mineração fazem com que os interesses econômicos prevaleçam na gestão das florestas da África Central.
As principais causas globais do desmatamento e da degradação continuam sendo a agricultura, a mineração e a exploração de matérias-primas.
Meta para 2030
O estudo afirma que o mundo ainda está fora da trajetória necessária para eliminar o desmatamento até 2030. O compromisso foi assumido em 2021 por mais de 140 líderes durante a COP26.
Para cumprir a meta, a perda de florestas teria de recuar um milhão de hectares por ano, ritmo distante do observado nos últimos tempos. Os autores também citam incêndios que ocorrem há semanas na Indonésia como sinal dos efeitos do El Niño.









