Os líderes dos países do Brics encerraram neste domingo (13) uma cúpula de dois dias com defesa da cooperação e de um sistema de comércio global aberto. O grupo também fez um apelo pelo “crescimento econômico global inclusivo”.
O Brasil foi representado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, enviado pelo presidente Lula (PT) como chefe da delegação. O primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, afirmou que os países do bloco reúnem metade da população mundial, 40% do PIB do planeta e mais de um quarto do comércio internacional.
Modi disse que a força do Brics está na diversidade e na cooperação. O presidente da Rússia, Vladimir Putin, afirmou que o grupo trabalha por uma “nova ordem mundial multipolar mais justa”. Já o presidente da China, Xi Jinping, comparou um mundo sem regras a um cruzamento sem semáforos, em que o caos e a desordem seriam inevitáveis.
Comércio e tensões entre China e Índia
Em uma declaração conjunta divulgada no sábado (12), os líderes defenderam um sistema comercial multilateral aberto, transparente, inclusivo e baseado em regras, com a Organização Mundial do Comércio (OMC) no centro. Xi também pediu que o bloco rejeitasse todas as formas de protecionismo e apoiasse o sistema comercial multilateral.
O posicionamento ocorre durante a guerra tarifária conduzida pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, desde seu retorno à Casa Branca em janeiro de 2025.
A cúpula também marcou a primeira visita de Xi à Índia desde 2019. Em reunião com Modi, o presidente chinês afirmou que os dois países podem complementar suas forças, apoiar-se e avançar juntos.
As relações entre China e Índia foram afetadas por um confronto militar mortal na fronteira tibetana. O comércio entre os dois países também é motivo de tensão: o déficit da Índia com a China chegou ao recorde de US$ 112 bilhões (R$ 570 bilhões) no ano fiscal de 2025-2026.
No sábado, os integrantes do Brics emitiram ainda uma declaração sobre a guerra no Oriente Médio, pedindo “máxima moderação” às partes em conflito. O bloco foi criado em 2009 e depois incorporou países como Irã, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos. A visita de Xi provocou protestos de dezenas de tibetanos em Nova Délhi. O Dalai Lama vive na Índia desde que deixou a China em 1959.









