NOVA DÉLHI — A guerra no Oriente Médio, seus efeitos sobre os preços do petróleo e do gás e as divergências entre os integrantes do Brics devem dominar a cúpula do grupo na Índia neste fim de semana.
O presidente russo, Vladimir Putin, chegou nesta sexta-feira (11) a Nova Délhi para uma visita de três dias. Ele foi recebido por Kirti Vardhan Singh, ministro de Estado das Relações Exteriores da Índia. O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, também era esperado na cidade, onde deve se reunir com Putin e o primeiro-ministro Narendra Modi.
A participação do presidente chinês, Xi Jinping, foi confirmada pelo governo de Pequim. Será a primeira visita de Xi à Índia desde 2019. O encontro deve reforçar a aproximação entre os dois países, que mantêm rivalidades.
Divergências sobre o Irã
O conflito no Oriente Médio começou em fevereiro, após ataques americanos e israelenses contra o Irã. China e Rússia mantêm relações comerciais com Teerã, apesar das ameaças reiteradas de sanções feitas pelo presidente Donald Trump.
A posição contrasta com a de outros integrantes do Brics, principalmente Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos. Os dois países são hostis ao Irã e foram alvos de represálias da República Islâmica nos últimos meses.
Para Shilan Shah, da Capital Economics, a guerra contra o Irã testa a união do grupo. Harsh V. Pant, da Observer Research Foundation, afirmou que o conflito será a principal linha de fratura da cúpula.
A Índia mantém relações cordiais com o Irã, mas tenta equilibrar esses vínculos com a relação com os Estados Unidos. Também deve usar o encontro para avaliar a força da parceria com a Rússia. Nova Délhi continuou importando petróleo russo mesmo sob sanções americanas, que relacionam essas compras ao financiamento da guerra contra a Ucrânia.
China e a agenda do bloco
A expansão econômica chinesa entre os integrantes do Brics também pode provocar debates. As exportações de Pequim alcançam parceiros como a Índia, e há uma expectativa de que a cúpula discuta o aumento do comércio entre os membros.
Shah avaliou que alguns países podem interpretar essa agenda como uma tentativa chinesa de defender os próprios interesses.
O Brics foi criado em 2009 por Brasil, Rússia, Índia e China. Depois, incorporou a África do Sul e, mais tarde, Irã, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos. Mohamed Bin Zayed al Nahyan, presidente dos Emirados Árabes Unidos, deve viajar à Índia.
O Brasil será representado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. Luiz Inácio Lula da Silva decidiu não participar do encontro para se concentrar na campanha pela reeleição nas eleições de outubro. A reunião está prevista para 12 e 13 de setembro. A segurança deve deixar Nova Délhi praticamente isolada a partir de sexta-feira.









