Tom Morello lançou o álbum Everyone Gets Everything They Want, organizou o festival Power to the People e voltou a tocar com Bruce Springsteen e a E Street Band. Aos 62 anos, o músico e ativista afirma que o novo trabalho reúne diferentes lados de sua carreira, da música pesada às canções folk.
O disco tem participações de Serj Tankian, do Kneecap e de Roman Morello, filho de Tom, que tem 15 anos e contribuiu com riffs para cinco faixas. Entre as músicas estão “Soldier in the Army of Love”, “Adjourn It”, “Unconquered”, “Date Night” e “Beth From Electronics”.
“Este é o disco que abraça a totalidade do que sou como artista e tudo o que sou capaz de fazer como guitarrista”, disse Morello.
Política e o festival
Na entrevista, Morello afirmou que vive um período de forte indignação política. Ao comentar o cenário dos Estados Unidos, disse que, se algo parece, fala, age, mente e mata como fascismo, então é fascismo. Ele também criticou a concentração de poder nas mãos de bilionários e defendeu que as pessoas participem da construção do mundo que desejam.
Para o músico, a discussão envolvendo Ed Sheeran desviou a atenção de questões que considera mais importantes, como os crimes de guerra no Oriente Médio e a influência de pessoas ricas sobre o discurso em shows. Ele também citou a erosão das liberdades, o autoritarismo e a crise ambiental como temas centrais.
O Power to the People foi planejado para ocorrer três semanas antes das eleições de meio de mandato dos Estados Unidos. O dinheiro arrecadado será destinado a organizações que defendem o direito ao voto. Morello descreveu o evento como um festival de paz, amor, justiça e música.
A mãe do músico, Mary Morello, morreu aos 102 anos. Segundo ele, ela defendia a participação política e dizia: “Você precisa lutar contra os fascistas de todas as maneiras que puder”. Morello afirmou que o voto é importante, mas não encerra a participação política.
Springsteen e o Rage Against the Machine
Morello contou que a parceria com Bruce Springsteen ganhou força depois de um show beneficente para as famílias de Renée Good e Alex Pretti. Springsteen participou da apresentação e levou a música “Streets of Minneapolis” para a turnê. Morello também destacou a escolha de “Clampdown”, do The Clash, como uma das músicas antifascistas do repertório.
Sobre a relação com Springsteen, o guitarrista disse que os dois conseguem trabalhar juntos apesar de diferenças políticas. Para ele, a união entre setores distintos da esquerda é necessária para enfrentar o que considera o problema central: o controle do mundo por pessoas que não agem no interesse da população.
Morello não confirmou se o Rage Against the Machine voltará a tocar. Ele lembrou que a banda fez 19 shows nos últimos 15 anos e afirmou que, se houver novidades, os quatro integrantes vão anunciá-las.
O músico também falou sobre o filho Roman, que começou na guitarra antes dele e hoje tem uma habilidade técnica que Morello diz nunca ter alcançado. Tom começou a tocar aos 17 anos e vê a colaboração com o filho como uma das experiências mais importantes de sua vida musical.
O álbum é o 22º da carreira de Morello, considerando trabalhos com Springsteen e Prophets of Rage. Ele também mencionou músicas inéditas do Audioslave e disse esperar que elas sejam lançadas algum dia.








