O novo filme de Resident Evil recupera o terror de sobrevivência dos jogos e coloca a trajetória de um personagem inédito no centro da história. Dirigido por Zach Cregger e estrelado por Austin Abrams, o longa chega ao Brasil em 17 de setembro.
Nos primeiros 30 minutos, a produção já deixa clara a tentativa de retomar a tensão característica da franquia. Em vez de transformar o protagonista em uma figura quase indestrutível, o filme acompanha Bryan como uma pessoa comum diante de uma situação extrema. Ele erra, toma decisões ruins, muda de estratégia e corre perigo real.
A atuação de Abrams reforça essa vulnerabilidade. Bryan atravessa uma sequência de emoções parecida com a de quem enfrenta uma fase difícil dos jogos, entre o desespero, a arrogância e a necessidade de sobreviver. A escolha também evita depender de personagens conhecidos, como Leon S. Kennedy, Chris Redfield e Jill Valentine.
Terror, humor e desconforto
A combinação de horror e comédia, marca do trabalho de Cregger, aparece novamente. O humor surge do absurdo das situações, sem transformar o filme em uma sucessão de piadas. Ainda assim, o equilíbrio entre os dois tons oscila em alguns momentos e uma interação de Bryan com outros dois personagens interrompe parte do ritmo construído até então.
O filme também reserva espaço para gore, terror corporal e criaturas infectadas com visuais incomuns. O desfecho segue a tradição do diretor de apostar em um 3º ato inesperado e deve dividir o público.
A ameaça por trás do apocalipse
Além dos zumbis, Bryan enfrenta uma dúvida pessoal: se tem o necessário para ser um bom pai. A paternidade funciona como tema recorrente da narrativa e ganha força enquanto o mundo ao redor do personagem desmorona.
Cregger já afirmou, em entrevistas, que coloca parte de si nos personagens que escreve. Durante uma masterclass no México, ele confirmou que o filme tem um significado pessoal, mas disse que ainda não estava pronto para falar publicamente sobre isso.
As referências aos jogos aparecem ao longo da trama, mas ficam ligadas às necessidades da história. Em entrevista, o diretor resumiu essa escolha com a frase: “Menos é mais”.








