‘NAZA’ apresenta depoimentos de soldados e oficiais israelenses sobre as políticas adotadas pelo IDF após os ataques de 7 de outubro. O documentário trata o episódio como massacre, tragédia e atrocidade, mas concentra o relato nas ações militares realizadas em Gaza.
A produção aborda o uso de drones controlados remotamente e de um programa de inteligência artificial chamado Lavender. Segundo a estimativa apresentada no filme, essas ferramentas teriam contribuído para um número de mortos que chega a 73 mil em Gaza e continua aumentando.
Duas realidades
Um dos participantes resume a abordagem do documentário: “Existem duas realidades simultâneas”. A realidade visível aparece em planos abertos de pessoas comuns acompanhando noticiários ou descansando em apartamentos diante do horizonte de Tel Aviv. A outra acontece à distância, enquanto sistemas definem alvos e ataques atingem bairros inteiros.
Os entrevistados descrevem uma estrutura de vigilância total sobre Gaza. Cada edifício recebe um número de identificação, o que permite direcionar ataques com precisão, como no exemplo do Edifício 6327, no sétimo andar. Os depoimentos também relatam que os danos podem alcançar todo o quarteirão.
O filme afirma que o celular de uma menina de 12 anos foi hackeado para localizar um alvo. Também descreve equipes que aguardariam a frase “Papai chegou” para ordenar ataques contra suspeitos que retornaram para casa. Outras situações mencionadas incluem zonas sem limites definidos, pessoas baleadas ao entrar nelas sem saber e um atirador de elite matando quem tentava atravessar uma ponte em busca de comida.
“O objetivo é destruir”, declara um dos soldados entrevistados. Parte dos críticos questionou a ausência de evidências apresentadas no próprio filme para comprovar as alegações. A produção responde que acusações semelhantes já haviam sido publicadas nos últimos anos.
Dirigido por Abraham e Szor, integrantes da equipe de ‘Sem Chão’, vencedor do Oscar em 2024, ‘NAZA’ usa entrevistas com vozes digitalmente modificadas ou não e imagens urbanas de Tel Aviv. O formato contido não reduz o impacto dos relatos apresentados pelos israelenses anônimos que aceitaram falar sobre o conflito.








