TORONTO — O documentário Musk, de Alex Gibney, foi alvo de críticas de Elon Musk e de uma ameaça de processo por difamação feita pelo advogado do empresário antes da estreia nos cinemas, prevista para outubro. Ainda assim, o diretor afirma que não recebeu resposta de Musk depois de tentar contatá-lo.
Durante o Festival Internacional de Cinema de Toronto, no domingo, 13 de setembro, Gibney disse que procurou o empresário logo após os ataques ao filme. “Mas ele claramente não estava interessado em conversar”, afirmou.
Críticas no X e carta de advogado
Musk tem quatro horas e estreou no início deste mês no Festival de Cinema de Veneza. Musk criticou a produção no X e afirmou que Gibney tinha “zero integridade”. Também disse que o documentário usava entrevistas com pessoas que teriam algo contra ele ou que não o conheceriam, mas ainda assim seriam contrárias a ele.
O advogado Alex Spiro enviou uma carta à Jigsaw Productions, empresa de Gibney, antes do lançamento do filme. O documento ameaçava uma ação por difamação e questionava uma troca de mensagens entre o diretor e Ashley St. Clair, que compartilhou textos enviados por Musk antes da eleição de 2024.
Em uma das mensagens, Musk disse estar confiante na vitória de Donald Trump porque “amanhã liberaremos a anomalia na Matrix”. Depois, ao ser questionado sobre a frase, respondeu: “Lasers do espaço… Eu tenho mais de 10 mil lasers no espaço”.
A carta afirmou que a conversa promovia uma teoria da conspiração já desmentida sobre satélites da Starlink e a transmissão de votos em estados decisivos. O advogado escreveu que os satélites da empresa usam comunicação por laser entre si e que a interpretação apresentada no filme seria falsa.
A Jigsaw Productions respondeu que a Primeira Emenda protege o direito de participar de debates e análises baseadas em fatos sobre figuras públicas. Gibney também afirmou que advogados e verificadores de fatos independentes analisaram o documentário.
O diretor disse ainda estar preocupado com possíveis tentativas de censura. O filme deve chegar a um serviço de streaming no final deste ano ou no início de 2027. Segundo Gibney, a consolidação da mídia e a atuação editorial de magnatas da tecnologia são motivo de preocupação.








