PARIS — O cineasta chileno Patricio Guzmán morreu nesta terça-feira, 15 de setembro, aos 85 anos, em um hospital de Paris, na França. Segundo fontes próximas, ele sofreu uma parada cardiorrespiratória.
Guzmán dirigiu obras como A Batalha do Chile, Nostalgia da Luz e O Botão de Pérola, e construiu uma carreira voltada à investigação da memória histórica do Chile. Seus filmes abordaram a ditadura de Augusto Pinochet, o governo de Salvador Allende e os efeitos da violência política no país.
Nascido em Santiago, em 1941, o diretor estreou em longas com O Primeiro Ano, documentário de 1972 sobre o início do governo de Allende. O filme chamou a atenção do francês Chris Marker, que adquiriu os direitos de exibição na França e forneceu material cinematográfico usado por Guzmán em sua obra mais conhecida.
Memória e paisagem
Filmada durante o período anterior e posterior ao golpe de Estado de 1973, A Batalha do Chile registrou a ascensão e a queda do governo da Unidade Popular. Dividida em três partes e concluída durante o exílio, a obra projetou o diretor internacionalmente.
Guzmán passou boa parte da vida entre Espanha e França. Entre seus trabalhos estão Em Nome de Deus (1987), Chile, Memória Obstinada (1997), O Caso Pinochet (2001) e Salvador Allende (2004). Em 1997, ele criou o Festival Internacional de Documentários de Santiago (Fidocs), dedicado ao cinema de não ficção, ao experimental e ao videoarte. Deixou a direção em 2007, mas continuou ligado à iniciativa.
A partir de Nostalgia da Luz, de 2010, o cineasta explorou a relação entre território e memória. O filme aproxima astrônomos que pesquisam o céu no Deserto do Atacama de famílias que procuram restos mortais de vítimas da ditadura no mesmo território. A produção foi escolhida entre os 25 melhores filmes da história pela revista Sight & Sound.
O Botão de Pérola (2015) venceu o Urso de Prata no Festival de Berlim. Já A Cordilheira dos Sonhos (2019) recebeu o Goya de Melhor Filme Ibero-Americano e o Olho de Ouro no Festival de Cannes. Os três filmes formam uma trilogia dedicada à memória e à paisagem chilena.
O último longa foi Meu País Imaginário (2022), sobre o estalido social de 2019 e os debates políticos que culminaram no processo constituinte. Em 2023, Guzmán recebeu o Prêmio Nacional de Artes da Representação e Audiovisuais do Chile. Ele não viajou ao país para a cerimônia.
O cineasta também enfrentava problemas de saúde. Em 2024, revelou ter sofrido um ataque cardíaco e outro problema grave na coluna, além de ter passado por duas cirurgias. Ainda planejava filmar um novo projeto no Chile, mas a ideia não foi realizada.
Quatro filmes de Guzmán serão apresentados na 50ª Mostra, com restauros inéditos no Brasil.








