A música “Milla” se tornou o maior símbolo da carreira de Netinho. Lançada em 1996 no álbum ao vivo gravado em Aracaju, a faixa foi composta por Manno Góes e Tuca Fernandes, mas acabou associada à trajetória do cantor baiano.
Netinho dizia que a força da canção estava na identificação do público com uma história de amor que não foi esquecida. “A música chama a Milla de volta”, afirmou em entrevista ao Fantástico em 2015. Para o cantor, a letra fazia cada ouvinte lembrar de alguém importante.
A composição surgiu no fim dos anos 1980, depois de um romance vivido por Manno Góes em Mar Grande, distrito da Ilha de Itaparica, na Bahia. O compositor passou os verões de 1986 e 1987 na região, quando conheceu a mulher que inspirou o nome da música.
Anos mais tarde, os dois se reencontraram por acaso em Salvador, onde passaram a morar no mesmo prédio. Manno confirmou que Milla existiu e contou que o relacionamento começou em Mar Grande. “Foi um amor de verão que aconteceu em Mar Grande, como a música retrata”, disse.
Da gravação ao sucesso
Netinho começou a cantar “Milla” em 1996, três anos depois de deixar a Banda Beijo e seguir carreira solo. A faixa entrou no álbum Netinho ao Vivo!, gravado em Aracaju e apontado como o primeiro disco ao vivo lançado por um cantor baiano.
A letra cita o farol apagado de Mar Grande, o cais, o moinho abandonado e as noites na Ilha do Sol. Esses elementos deram à música uma ambientação específica e ajudaram Netinho a interpretar a história como se também fizesse parte dela.
A canção ganhou versões em mais de oito idiomas e acompanhou o cantor em apresentações na Itália, no Chile e em Portugal. No Spotify, soma 37 milhões de reproduções. No YouTube, a gravação ao vivo em Aracaju ultrapassa 25 milhões de visualizações.
Netinho morreu nesta terça, 13, aos 60 anos, em Salvador. Ele enfrentava um linfoma não Hodgkin, diagnosticado em 2025 e agravado novamente em 2026. “Milla” permaneceu no repertório do cantor até os últimos anos de apresentações.








