O documentário Frampton revisita a trajetória de Peter Frampton desde a infância em Londres até os problemas que enfrentou depois do sucesso mundial. Dirigido por Rob Arthur, líder da banda do músico, o filme estreou em 4 de junho no Festival de Cinema de Tribeca e será exibido no Festival de Cinema de Nashville em 24 de setembro.
A produção usa imagens de arquivo e entrevistas com Frampton, sua ex-esposa, seus filhos, integrantes da banda e nomes como Roger Daltrey, Tom Morello, Sheryl Crow, Cameron Crowe, Herb Alpert, Glyn Johns e Kate Hudson.
Antes da fama mundial
Frampton deixou o Humble Pie em 1971 para seguir carreira solo. O reconhecimento global veio com o álbum ao vivo Frampton Comes Alive!, de 1976. Antes disso, quando tinha apenas 14 anos, ele gravou “Hole in My Soul” com o grupo The Preachers. A sessão teve Bill Wyman, dos Rolling Stones, como produtor e marcou a primeira experiência do músico em um estúdio.
Na época do The Herd, Frampton virou um ídolo adolescente por causa da aparência. Revistas chegaram a chamá-lo de “O Rosto de 68”, enquanto os outros integrantes da banda recebiam menos atenção. O guitarrista afirmou que não gostava daquele tratamento e associou o episódio ao fim do grupo.
Entre as lembranças mais importantes, ele destaca o trabalho com George Harrison em All Things Must Pass. Embora não tenha recebido crédito como músico, tocou em várias faixas do disco e considera as sessões no Abbey Road o momento mais marcante de sua carreira.
Sheryl Crow também aparece no filme para contar que seu primeiro show foi uma apresentação de Frampton, quando ela tinha 13 anos, no Mid-South Coliseum, em Memphis, Tennessee. A experiência fez com que ela imaginasse seguir carreira na música.
Queda após o sucesso
A pressão para superar o resultado de Frampton Comes Alive! veio acompanhada de uma rotina intensa de shows e do consumo crescente de cocaína. Frampton disse que usava a droga como forma de automedicação durante a turnê de I’m in You.
Em 1978, ele estrelou Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band ao lado dos Bee Gees. O músico aceitou participar depois de ouvir que Paul McCartney estaria no filme, mas descobriu mais tarde que McCartney não fazia parte da produção.
No início da década de 1980, Pete Townshend telefonou para convidá-lo a tocar no The Who. A ideia não avançou, e a proposta foi retirada semanas depois. Frampton precisava do trabalho naquele momento e considerou o episódio um golpe devastador.
Após ser dispensado pela gravadora, ele descobriu que tinha muito menos dinheiro do que imaginava. Para se manter, pediu US$ 100 mil emprestados a Ahmet Ertegun, fundador da Atlantic Records.
Retorno aos palcos
Em 1987, David Bowie chamou Frampton para tocar guitarra em Never Let Me Down. Embora o álbum tenha sido mal recebido e depois rejeitado pelo próprio Bowie, a turnê levou Frampton de volta a grandes palcos. O músico atribui a Bowie a retomada de sua carreira.
A fase final abordada pelo documentário inclui o diagnóstico de miosite por corpos de inclusão. A doença muscular tornou mais difícil caminhar, segurar o celular, tocar guitarra e fazer turnês. Frampton passou a usar uma bengala e adotou uma rotina de exercícios para reduzir os efeitos da condição.
“É incrível como consegui continuar e fazer o que faço”, afirma Frampton no filme. Ele diz que está buscando novas formas de transformar em música o que ouve na cabeça, mesmo quando os dedos não respondem como gostaria.








