O longa A Bola Preta, de Javier Calvo e Javier Ambrossi, abriu a 28ª edição do Festival do Rio com sessões esgotadas. A produção, uma das mais cotadas para o Oscar 2027, cruza três histórias de pessoas LGBTQIAPN+ em diferentes períodos da Espanha.
O filme foi exibido no festival, realizado entre 1º e 11 de outubro, e acompanha personagens ligados por experiências de violência, intolerância, amor e apagamento histórico. A narrativa é inspirada na obra do poeta e dramaturgo espanhol Federico García Lorca.
A primeira história se passa em 1932 e apresenta Carlos, interpretado por Milo Quifes. A pedido do pai, o jovem tenta entrar em um clube exclusivo para homens em um cassino local, mas é impedido por rumores sobre sua sexualidade.
Em 1937, durante a Guerra Civil Espanhola, o militar Sebastián Azcuna, vivido por Guitarricadelafuente, e o rebelde Rafael Rodríguez Rapún, interpretado por Miguel Bernardeau, estão em lados opostos do conflito. Mesmo assim, os dois constroem um vínculo afetivo.
A terceira trama acompanha Alberto, personagem de Carlos González, em 2017. O pesquisador investiga histórias de pessoas LGBTQIAPN+ apagadas ao longo do tempo. Após a morte do avô materno, ele recebe uma herança que o conecta a um histórico de violência, vidas e amores perdidos.
Memória e representação
Ao juntar os diferentes períodos, A Bola Preta se transforma em uma tentativa de recuperar memórias e impedir o apagamento de pessoas como Rafael Rodríguez Rapún e Federico García Lorca. A história também aborda documentos mantidos em segredo por famílias e particulares, por medo da exposição pública.
“Não vou desaparecer por completo. Ninguém desaparece por completo”, diz um dos personagens. A frase resume a busca do filme por preservar a memória de quem veio antes e celebrar pessoas queer que tiveram suas histórias interrompidas ou esquecidas.
A produção é o novo trabalho dos diretores de Veneno, minissérie de 2020 sobre Cristina Ortiz Rodríguez, conhecida como La Veneno. Javier Calvo e Javier Ambrossi venceram o prêmio de Melhor Direção no Festival de Cannes deste ano.
Inspirado pelo trabalho de Lorca, o longa também usa imagens simbólicas, como a cena em que Sebastián contempla uma estátua de São Sebastião, adotado pela comunidade queer como padroeiro. A obra combina poesia, história e personagens marcados pela intolerância.








