A falta de água está levando produtores do Corredor Seco da América Central a vender o gado por preços baixos antes que os animais morram. Centenas de vacas morreram nos últimos meses em San Lorenzo, no sul de Honduras, onde a produção de leite de um criador caiu para um quarto do habitual.
Darwin Cruz vendeu duas vacas leiteiras desde que a estiagem se intensificou em junho. Outra morreu, e restam três animais. Se não chover, ele poderá vender o restante para conseguir alimentar a família.
Lavouras e reservatórios sob pressão
O fenômeno El Niño provocou a pior seca de que a população local se recorda. A perda de cultivos destinados ao consumo próprio reduziu as refeições e obrigou camponeses a comprar alimentos que normalmente produziam.
Em uma aldeia do município de Cunén, no norte da Guatemala, a líder indígena Elvira Pasá afirma que todas as plantações de milho serão perdidas. O país enfrenta problemas de desnutrição infantil que se agravam com a estiagem.
Em El Matazano, no nordeste de El Salvador, um reservatório usado pela comunidade está cada vez mais seco. A população deixou de criar tilápias e passou a reservar a água para usos prioritários. Na região, a temperatura chegou a 42°C.
A faixa do Corredor Seco também inclui áreas de Nicarágua e Costa Rica. Mais de 10 milhões de pessoas vivem no território, e 80% dos pequenos produtores são pobres, segundo a ONU. Em San Lorenzo, Lidia Ochoa, de 76 anos, relata a dificuldade para manter uma rotina de alimentação: “Às vezes eu começo a chorar. Às vezes a gente come, às vezes não”.
Impacto regional
Governos declararam estado de emergência, mas várias comunidades dependem do apoio de ONGs. No Panamá, o canal interoceânico reduziu o trânsito de navios porque funciona com água doce.
O El Niño ocorre a cada dois a sete anos e altera temperaturas, ventos e chuvas. Meteorologistas dizem que o fenômeno deve atingir o auge no fim do ano. Lena Savelli, diretora regional do Programa Mundial de Alimentos da ONU, afirmou que 16 milhões de pessoas na América Latina podem ficar sem alimento suficiente. Especialistas estimam que os efeitos continuem ao longo de 2027.









